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Doação de Órgãos no Brasil

     Para o filósofo, Richard Rorty, “Se podemos contar uns com os outros, não precisamos depender de mais nada”. Sob essa perspectiva, embora a doação de órgãos no Brasil remeta à atuação do Estado, não se pode negar que esse dilema também requer compromissos coletivos. Afinal, como um câncer terminal, a omissão diante dos mitos que envolvem a doação de órgãos e a falta de diálogo sobre o assunto no âmbito social representam a metástase em qualquer mudança.


     Em primeiro lugar, é importante salientar que, ao desprezar a lógica e a complexidade do problema, muitos setores sociopolíticos perpetuam discursos demagógicos, reforçando o estigma de que os órgãos são retirados antes de ocorrer a morte cerebral ou que os agentes da saúde induziriam a falência encefálica do paciente para coletar os órgãos, entre outras justificativas ilógicas que vão contra os preceitos da medicina científica. Diante desse fato, segundo Learned Hand, jurista estadunidense, "as mãos que guiam informações são capazes de dirigir o poder e conduzir consciências". Em consequência disso, sem comprometimento com a verdade, toda forma de informação falaciosa constitui uma grave ameaça social, mas também um grande desserviço às pessoas que estão definhando à espera de um órgão.


     Outrossim, não restam dúvidas de que o número de órgãos doados por ano, no Brasil, tem aumentado. Entretanto, a importância da doação e suas informações necessárias não são pautas recorrentes nas escolas, nem mesmo nas aulas de biologia. Nessa ótica, recentes dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) revelam que, atualmente no Brasil, a cada 100 famílias, 43 se recusam a fazer a doação dos órgãos do familiar. Nesse cenário, pouco se investe na relação da equipe que aborda a família, e caso a vontade da doação não tenha sido manifestada em vida, a tendência é que os familiares muitas vezes impeçam o processo de doação. Afinal, contra fatos não há argumentos, mas existem infinitas possibilidades de ação; e somente incitando medidas austeras e coletivas será possível solucionar esse dilema.


     De acordo com o filósofo positivista Auguste Comte, “É preciso ver para prever e prever para prover”. Nessa égide, aliados aos fatos supracitados, pode-se ver a reincidência da morte de pessoas na fila de espera e prever a continuação caso não haja medidas que solucionem o impasse. Em posse dessa informação, cabe ao Estado, auxiliado pelo Setor Teórico, como pedagogos e médicos, promover campanhas esclarecedoras sobre o processo da doação, com o intuito de desmitificar os discursos demagógicos acerca do assunto. Ademais, é tarefa primaz do Ministério da Educação acionar a Escola para constituir novas dinâmicas, palestras e campanhas, as quais mostrem não só a importância da doação de órgãos, mas também a de informar a família que deseja ser um doador. Assim, para edificar tal realidade é preciso coadunar a consciência coletiva e a firmeza de propósitos.

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