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Doação de Órgãos no Brasil

O avanço econômico das últimas décadas fez o Brasil ocupar espaço entre as dez potências mundiais. No entanto, quando se analisa a relação da sociedade com a doação de orgãos, nota-se não só um mínimo número de doadores, mas como uma insuficiente infraestrutura dos hospitais brasileiros. Tal cenário, além de contrário ao desenvolvimento econômico do País, é fruto tanto da ineficiente atuação estatal quanto da ausente empatia da sociedade, mergulhada em seu individualismo.


A princípio, para o filósofo francês Michel Montaigne, a saúde, em sua essência, é de incalculável valor e, assim, deve-se empregar o máximo de esforço para matê-la. Paralelamente a essa lógica, é inaceitável o inefetivo esforço do Poder Público em garantir, com transplantes, o direito constitucional à vida, uma vez que não há investimento compatível com a realidade dos hospitais brasileiros. No que tange a tal análise, é explícito a insuficiência de infraestrutura do sistema de saúde do País, visto que mais da metade dos orgãos doados não são transplantados em razão dos hospitais não possuirem capassidade de suprir as exigencias do processo cirúrgico.


Vale pontuar, ainda, que no Egito Antigo, faraós tinham seu orgãos retirados e enterrandos juntos a ele, pois acreditava-se que afastá-los o condenaria ao sofrimento. No Brasil, a taxa de doadores efetivos de orgãos é insuficiente em relação a demanda, o que barra o desenvolvimento humano do País, posto que se interrompe a preservação da vida. Dessarte, essa realidade, contrariamente aos costumes do Egito Antigo, é explicada pelo filósofo Zigmunt Bauman, em que relata a atual vivência em uma modernidade individualista. Desse modo, tal perspectiva pode ser verificada na queda do número de doadores em estados mais populosos, onde a quantidade de pessoas é contrária à empatia.


Logo, para que se efetive o funcionamento do sistema de transplantes no Brasil, urge que o Poder Público forme, por intermédio de investimentos, políticas públicas que proporcionem um investimento na especialização e infraestrutura que seja diretamente proporcional à necessidade variante dos hospitais públicos do País. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde criar, por meio de verbas governamentais, publicidades que promovam o engajamento da população aos efeitos e dimensões da doação e transplante de orgãos, com a finalidade de fomentar a empatia na população. Somente assim, será possível elevar o nível da saúde brasileira e, do mesmo modo, igualar o desenvolvimento social ao econômico do País.

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