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Doação de Órgãos no Brasil

Sócrates, filósofo grego, responsável pela teoria conhecida como Mito da Caverna, relata que a humanidade vive presa a uma caverna chamada realidade, em que está enraizada costumes e pensamentos que tendem a levar a sociedade ao regresso. A partir de tal abordagem, pode-se fazer um paralelo a uma grande problemática existente na sociedade: os desafios que cercam a doação de órgãos no Brasil. Embora seja uma atitude extremamente importante, grande parte do corpo social vive preso a uma caverna em que não há um bom aceitamento no que diz respeito a doação de órgãos. No entanto, essa é uma realidade passível de mudança.
A doação de órgãos consiste na retirada de um órgão ou tecido de um doador para que possa ser implantado em um outro indivíduo. O doador pode em alguns casos, ser um indivíduo vivo, como por exemplo em casos de doação de parte de rins, fígado, pulmão e também medula óssea. Entretanto, na maior parte dos casos, o doador de órgãos é uma pessoa acometida por morte encefálica, em que todas as funções do cérebro deixam de funcionar. Embora exista dois tipos de doadores possíveis, nota-se que no Brasil, a necessidade de transplantes de órgãos é maior do que a quantidade de pessoas dispostas a doar.
Para que um indivíduo acometido por morte encefálica possa ter seus órgãos retirados para doação, é necessário que haja um documento em que esteja expressa a vontade do doador com clareza ou, que no momento da morte, a família autorize a retirada dos órgãos para que possam ser doados àqueles que sofrem com a interminável lista de espera de transplantes. Entretanto, de acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente metade das famílias não aceitam que os órgãos de seu familiar seja retirado para a doação. A partir de tal dado, pode-se concluir que uma das principais causas para o baixo número de doadores é a recusa familiar. Ademais, é válido citar que a sociedade não se encontra totalmente informada sobre as leis que giram em torno do processo da doação de órgãos e como o processo é realizado. Com a falta de acessibilidade às leis que circundam a doação de órgãos, a sociedade isenta-se do desejo de ser um doador e salvar vidas.
Diante da problemática supracitada, torna-se necessária a ação de diversos segmentos sociais para a resolução da mesma. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve, realizar campanhas de conscientização sobre a doação de órgãos. Além de conscientizar sobre a importância desse ato de amor ao próximo, é necessário fornecer informações para a população a cerca do processo de doação esclarecendo todas as dúvidas que a família ou o indivíduo que já deseja se declarar um doador após sua morte possa vir a ter. Ademais, é fundamental que nos hospitais, após declarada a morte encefálica, a família conte com um suporte de uma equipe multidisciplinar, principalmente psicólogos, que possam auxiliar no processo do luto e façam com que a família entenda que o familiar, além de importante para sua vida, pode ser fundamental para tantas outras pessoas que dependem de seus órgãos para que possam continuar a viver. E por fim, cabe a toda sociedade a prática de atos de empatia a partir da compreensão de que doar órgãos é doar vida, é permitir que outras pessoas possam viver.

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