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Doação de Órgãos no Brasil

Morte. Sofrimento. Tragédia. Esses são os conceitos responsáveis por caracterizar o processo de doação de órgãos na sociedade brasileira, que depara-se com déficits e a morosidade, impedindo que outras vidas sejam salvas. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de racionalidade comum a momentos de luto e do silenciamento em torno do tema. 



Em primeira análise, a falta de um pensamento racional mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade na questão da doação de órgãos, já que, infelizmente, o momento de tomada dessa decisão, na maioria das vezes, é regida pela emoção, em um momento de luto. Assim, sem a presença de uma lógica que permita que as famílias tomem decisões empáticas, que podem salvar outra vidas, esse problema tem sua intervenção dificultada.



Além disso, a lentidão da doação de órgãos encontra terra fértil no silenciamento. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o da doação de órgãos seja resolvido, faz-se necessário debater sobre ele, de modo que as famílias participem do diálogo e sejam incentivadas a optarem pela doação antes mesmo do momento do falecimento, enquanto todos os integrantes ainda encontram-se vivos. No entanto percebe-se uma lacuna no que se refere a essa problemática, que ainda é muito silenciada, já que a morte em sí é um grande tabu na nossa sociedade. 



Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver o problema apresentado. Como solução, é preciso que as escolas e as unidades de saúde, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates acerca da doação de órgãos. Contando com a presença de professores, médicos e convidados especializados no assunto. Além disso, deve ser aberto à comunidade, com o fito de que mais pessoas compreendam questões relativas ao tema e se tornem cidadãos mais atentos na busca de resoluções. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois como defendeu Simone de Bevouir: "Cada um de nós é responsável por tudo e por todos seres humanos.". 

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