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Doação de Órgãos no Brasil

Doenças congênitas, autoimunes, acidentes, cânceres: diversos são os motivos que podem colocar alguém na fila de espera por um transplante de órgãos - e muitas dessas pessoas não podem esperar por muito tempo. Por essa razão, é importante esclarecer os desafios da doação de órgãos no Brasil e repensar estratégias para o futuro. Embora existam, de fato, problemáticas procedurais para o transplante (que vão desde o cuidado com a família do doador até o cuidado com o transplantado), o principal obstáculo ainda é conseguir a autorização das famílias, já que na maior parte dos casos, são elas que tomam a decisão. 


Tal afirmativa é possível pois a manipulação do corpo da pessoa recém falescida é tabu há séculos. Durante a Idade Média e o Renascimento, por exemplo, a Igreja Católica proibia a então chamada "violação dos corpos", de tal maneira que Leonardo da Vinci roubava cadáveres para realizar seus estudos anatômicos. Ainda hoje, esse tabu persiste e é um dos principais motivos pelos quais mais da metade das famílias brasileiras questionadas recusam a adoação. Daí a importância de transferir a decisão final para o próprio doador, registrando-a ainda saudável e em vida.


Em segundo plano, um desafio é realizar o processo de retirada e transplante do órgão de maneira rápida e eficiente, sem desrespeitar a família em sofrimento. Atualmente, o SUS é o maior Sistema Unificado de Saúde pública a realizar transplantes no mundo, sendo responsável por mais de 90% deles no Brasil. De tal forma, as precariedades já conhecidas do SUS também afetam essa problemática, desde o atendimento prestado à família do doardor como também ao transplantado, que dependerá de acompanhamento por toda vida. Além disso, manter a viabilidade do órgão também é um desafio para as equipes de saúde. Uma vez que o órgão é retirado do doador, esse deixa de receber oxigênio, ativando mecanismos celulares pró-apoptóticos, estimulando a degranulação de neutrófilos e promovendo a necrose do tecido. Por consequência, o desempenho coeso entre atendimento psicossocial e cirúrgico é fundamental. 


Partindo dessas premissas, são necessárias mudanças de curto e longo prazo para ampliar a doação de órgãos no Brasil. Primeiramente, é preciso preparar, a longo prazo, os indivíduos para que se tornem doadores e para que, como familiares, autorizem a doação. Para isso, o Ministério da Educação precisa incluir a temática na disciplina de Biologia na Base Nacional Comum Curricular, para turmas do ensino médio. Em segundo plano, para aumentar, a curto prazo, o número de doações, o Ministério da Saúde, além de inverstimentos materiais, precisa amplificar e aperfoiçoar o atendimento psicológico para as famílias. Além disso, precisa incluir a sugestão para cadastro como doador de órgãos em qualquer atendimento não emergencial para maiores de idade no SUS. Assim, mais brasileiros terão a chance de recuperar a saúde. 

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