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Doação de Órgãos no Brasil

   Tomada pelo sentimento de medo devido a possibilidade de perder o noivo, a médica Izzie Stevens, personagem da série norte-americana "Grey's Anatomy", decidiu tornar as condições do paciente instáveis para que ele pudesse subir na fila do transplante de coração. Todavia, embora a ação se configure como um ato antiético, tal conduta reflete as dificuldades para encontrar doadores. Assim, fora da ficção, quando se pensa na doação de órgãos, observa-se que, no Brasil, o número de transplantes realizados é insuficiente. Nesse contexto, convém avaliar os fatores que contribuem para esse quadro.



    Em primeiro lugar, vale ressaltar que de acordo com os dados divulgados pelo jornal Nexo, entre 2007 e 2017 o número de doadores no Brasil teve um importante aumento. No entanto, segundo um gráfico disponibilizado pela Associação Brasileira de Transplantes de Ógãos, as cirurgias feitas são inferiores em relação a necessidade nacional. Diante desse fator, é preciso salientar que até 1997 a legislação determinava que todos os cidadãos eram, automaticamente, considerados como doadores, contudo, apartir de 2001 a instituição da família passou a ser responsável pela decisão. Dessa forma, percebe-se que em muitos casos o principal entrave para que a doação dos órgãos não se concretize é a errônea esperança familiar da possível reversibilidade da morte encefálica do paciente.



    Sob esse ponto de vista, apesar de nenhuma religião defender ações pautadas, sobretudo, no individualismo, a cultura judaico-cristã contribue para falsas expectativas na medida em que propaga a viabilidade de milagres por intermédio da fé. Nesse cenário, é perceptível a não conciliação de si com a generosidade. Seguindo essa análise, é de fundamental importância lembrar que como defendido pelo ativista político Martin Luther King, "toda hora é hora de fazer o que é certo". Desse modo, é nítida a indispensabilidade da mudança de conduta de uma parte considerável da sociedade civil quanto à decisão de doar ou não os órgãos que não apresentam qualquer serventia para o indivíduo que teve a morte declarada por uma equipe médica.



     Fica evidente, portanto, a necesseidade de conscientizar os cidadãos, pois, apesar do sentimento de tristeza ao se perder um ente querido, mesmo nesses momentos, é preciso desenvolver empatia, ou seja, se colocar no lugar daqueles que estão na fila a espera de um órgão. Por conseguinte, para que mais pessoas sobrevivam após um diagnóstico da falência de uma parte do corpo, cabe aos veículos midiáticos oferecer informações para esclarecer quaisquer dúvidas da família em relação aos precedimentos cirúrgicos e a destinação final dos órgãos em questão. Isso pode ser feito por meio de comercias televisivos, anúncios online e cartazes em locais de grande circulação de pessoas, como, por exemplo, aeroportos e shopping centers. Por fim, como efeito de uma política de esclarecimento, será possível que ao terminar uma vida possa ser ofericida a chance para que outra recomece.

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