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Doação de Órgãos no Brasil

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão do transplante de órgãos ainda enfrenta grandes barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Consequentemente, esse cenário antagônico é fruto tanto da desinformação das famílias sobre o assunto, quanto das limitações estruturais do sistema.


 


Em primeira análise, apesar de o Brasil possuir o maior sistema público de transplantes do mundo, segundo dados divulgados pelo site da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a demanda ainda é bem maior do que a oferta. Tal realidade, pode ser explicada, em parte, pela falta de informação das famílias dos doadores, tanto com relação ao processo de doação, quanto ao diagnóstico de morte encefálica. Dessa forma, envolvidos pela esperança, por crenças religiosas e por acreditarem que, pelo fato de o coração do ente querido estar batendo ainda haverá chances de retorno à vida, negam a doação. Como resultado, visto que a janela entre a constatação da morte e a retirada dos órgãos de interesse é relativamente curta, perde-se a chance de salvar uma vida, prolongando-se a espera de quem já não tem muito tempo.


 


 


Por outro lado, é sabido que o protocolo para se chegar à efetivação de um transplante é longo e burocrático. Nesse aspecto, primeiramente, é preciso que a equipe médica faça notificação quando ocorrer morte encefálica, a fim de identificar um possível doador. Entretanto, nem sempre esse ponto é observado, tanto por falta de treinamento dos profissionais, quanto por desatenção. Além disso, muitos centros de saúde, onde o doador está, não possuem uma UTI devidamente equipada, com cirurgiões de prontidão, preparados para que a coleta dos órgãos possa ser feita imediatamente. Finalmente, a falta de um meio de transporte adequado inviabiliza os deslocamentos de grandes distâncias devido a fragilidade dos órgãos.


 


 


Portanto, a fim de transformar essa realidade, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com os hospitais, realize campanhas para informar e conscientizar a sociedade sobre a importância da doação. Tais medidas podem ser divulgadas por meio das mídias sociais e de campanhas na televisão, com o depoimento de transplantados, por exemplo, ou, ainda, por seminários nas escolas e universidades, com profissionais da área. Além disso, é fundamental que o Governo Federal invista e estimule o treinamento de equipes multiprofissionais do SUS para atuarem em todo o processo de doação, e garanta hospitais com infraestrutura adequada para a realização do procedimento nos principais centros urbanos de cada estado.


 

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