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Doação de Órgãos no Brasil

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é um sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Hodiernamente, o sentimento de empatia tem se demonstrado frágil, visto que a recusa ou resistência na doação de órgãos ainda é um grande desafio a ser superado. Isso se deve, sobretudo, à necessidade de uma educação sobre o tema e a melhorias nas infraestruturas hospitalares. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.


            A princípio, vale ressaltar como a dificuldade para a doação de órgãos é reflexo da falta de conhecimento sobre o assunto. De acordo com Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Nessa lógica, quando um indivíduo sofre morte encefálica – lesão que interrompe definitivamente as atividades cerebrais – o grupo familiar se recusa a aceitar que seu ente não irá mais se recuperar e ao serem notificados sobre a possibilidade da doação dos órgãos - nesse caso o paciente é considerado um potencial doador -, muitos se revoltam e negam tal atitude. Isso porque, baseados em crenças ou amparados pela religiosidade, cultivam uma esperança de recuperação, pois não possuem o conhecimento necessário sobre o tema e permanecem apenas no senso comum. Dessa forma, é evidente que a ausência de esclarecimento impede a expressão da solidariedade.


          Cabe, ainda, destacar que as estruturas precárias, sejam de captação ou transporte, dificultam a efetividade do processo. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), dentre 15% dos doadores que foram encaminhados ao bloco cirúrgico para a remoção de órgãos, nenhum órgão foi transplantado. Sob tal ótica, é revelado uma péssima taxa de aproveitamento, pois a falta de equipamentos nos hospitais inviabiliza o cuidado com o doador e a preservação dos órgãos, principalmente quando envolve o transporte a longas distâncias, o que exige cuidado e agilidade. Assim, é evidente que problemas de infraestrutura e preparo durante esse processo dificultam o sucesso nos transplantes.


           Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que resolvam o impasse. Para tanto, é imperiosa uma ação do Governo Federal, aliado aos Ministérios da Comunicação e Educação, que deve, por meio de melhorias na divulgação de informações, tornar de domínio público o esclarecimento sobre o tema, através de propagandas em canais midiáticos e palestras que envolvam a comunidade, com o fito de instruir sobre a importância da doação de órgãos e informando a respeito do processo. Além disso, é necessário que o Estado, através da destinação de verbas, promova melhorias nas infraestruturas hospitalares, visando a preservação e o cuidado com os órgãos até a chegada ao receptor e, assim, tal desafio reverter-se-á ao sentimento de solidariedade, como fora apregoado por Franz Kafka.

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