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Doação de Órgãos no Brasil

  Na série médica “Grey’s Anatomy”, a cirurgiã Bailey  encontra dificuldades para realizar um transplante de rins, tendo em vista que a família do doador possuía uma visão preconceituosa sobre o assunto. Assim como na ficção, a temática da doação de órgãos também configura-se como um entrave no Brasil. Sob essa ótica, faz-se pertinente debater sobre a influência não somente do desconhecimento populacional, como também da atuação inadequada da equipe médica perante essa problemática.


  Em primeira análise, é fulcral ressaltar a ausência de notoriedade social como fator primordial. De acordo com a teoria do Habitus, proposta por Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora determinada estrutura, de modo a naturalizá-la e reproduzi-la. Nesse contexto, a falta de campanhas publicitárias e educacionais acerca da doação de órgãos constrói uma visão deturpada sobre o tema, culminando na propagação de desinformação e  no preconceito. Portanto, a incompreensão da sociedade diante da importância do transplante de órgãos torna-se um empecilho encontrado no país.


  Ademais, é imperativo pontuar a colaboração  do despreparo dos médicos em lidar com a dor. Conforme um estudo conduzido pela Unifesp, a principal queixa dos parentes dos doadores é a abordagem médica de forma mecânica e desumana. Partindo desse pressuposto, uma família em estado de luto, ao procurar por apoio no âmbito hospitalar, encontrar-se-á desamparada e mais propícia a recusar a doação dos órgãos do ente. Logo, é incoerente que o Brasil, por possuir o maior sistema público de transplantes do mundo, ainda enfrente a inaptidão médica como um problema.


  Em suma, torna-se clara a potencial relação negativa entre desinformação e despreparo perante a doação de órgãos no Brasil. Posto isso, é mister que a mídia, por  intermédio de subsídios estatais, promova comerciais em horário nobre que retratem a importância de ser um doador, com o intuito de levar informação para a sociedade e, assim, reverter o tabu criado sobre o transplante de órgãos. Outrossim, urge que as Secretarias de Saúde Estaduais, em parceria financeira com o Ministério da Saúde, forneçam palestras hospitalares periódicas sobre a prática da empatia médica diante do luto, com o fito de viabilizar relações mais harmônicas nos hospitais e, desse modo, propiciar mais transplantes. Assim sendo, cenas como a vivenciada em “Grey’s Anatomy” deixarão de fazer parte do cotidiano nacional.

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