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Doação de Órgãos no Brasil

  Convém lembrar que, segundo ideias aristotélicas, o homem é um ser social e, nesse contexto, inerente aos problemas coletivos e suas possíveis soluções. Nessa conjuntura, no que tange a doação de órgãos no Brasil, é imprescindível compreender que a naturalização desse processo perpassa por fornecer informações à sociedade. Assim, os dilemas dessa questão estão alicerçados na omissão do Estado em intervir no sistema educacional a fim de preparar uma futura geração mais empática e desmistificar essa temática na atualidade.
   Sob esse viés, a relação de pessoas que esperam por um transplante e a de doadores de órgãos segue de forma destoante. Conforme dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, nos nove primeiros meses de 2012, apenas 30% dos pacientes diagnosticados com morte cerebral no país se tornaram doadores. Nessa perspectiva, tendo em vista que tal procedimento é autorizado por familiares, momento não propício para tomada de decisão, embalados por estresse e sofrimento pela perda do ente querido, é inaceitável a transferência de um problema de saúde pública para os cidadãos, logo, fatores como a falta de informação e de acolhimento por psicólogos e assistentes sociais podem despontar para que a decisão do doador em vida não seja respeitada no momento da sua morte.
  Ademais, é primordial que o curto prazo não ofusque as medidas de longo prazo e, nesse sentido, é necessário que o Poder Público prepare as futuras gerações. De acordo com o escritor tcheco Franz Kafka, “ a solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana”. Dessarte, a negligência Estatal, provedor do bem-estar social e da dignidade humana, em introduzir e debater o tema em centros educacionais corrobora para a manutenção de estereótipos que permeiam a doação, como o comércio ilegal de órgãos e a corrupção de médicos, e, além disso, não incentiva a criação de um futuro cidadão ativo, colocando-o como agente de transformação social e colaborador de uma sociedade mais solidária e empática, capaz de influenciar e agregar amigos e familiares a essa causa.
  Destarte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, a criação de um projeto educacional a ser desenvolvido com estudantes do ensino fundamental II e médio nas escolas sobre a importância dessa ação. Essa medida dever ser realizada com ciclos de palestras, apresentações lúdicas e entrega de material didático, como gibis. Espera-se, com isso, a construção de um novo modelo de sociedade.

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