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Doação de Órgãos no Brasil

    A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os indivíduos o direito à vida. Não obstante, percebe-se, no campo hodierno, que a ação legal encontra-se distante da efetivação, uma vez que são notórios empecilhos para a doação de órgãos na sociedade brasileira, devido não só à carência de conhecimento a respeito da questão, como também ao reflexo do individualismo. Nessa perspectiva, infere-se que essas adversidades devem ser superadas de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
  É incontestável que a inexistência de informação sobre a temática oriunda dos meios de comunicação de massa mostra-se como um dos desafios à consolidação desse revés. Destarte, em conformidade com Pierre Bourdieu o que foi criado para ser instrumento de democracia - como o sistema midiático - não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Quanto a essa questão, ao analisar o pensamento do sociólogo francês, observa-se, na contemporaneidade, que os meios de difusão de informação silencia a vicissitude em questão, uma vez que não abordam sobre a doação de órgãos no sistema televisivo e midiático. Por conseguinte, sem uma maior divulgação à população acerca do processo de retirada dos órgãos, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. Logo viola com o direito proposto na Carta Magna: à vida.
    Da mesma forma, evidencia-se que essa situação é corroborada pela inexistência de empatia em uma sociedade pós-moderna. Outrossim, em conformidade com Zygmunt Bauman, o individualismo é uma das principais características e o maior conflito da pós-modernidade. Quanto a essa questão, ao analisar o pensamento do sociólogo polonês, observa-se, no cenário social vigente, a falta de capacidade de se colocar no lugar do outro, visto que quanto menos alteridade nas relações sociais mais conflitos ocorrem. À vista disso, é incontestável que os civis, em grande parte, não pensam na quantidade de pessoas que serão beneficiadas caso sejam solidários. Assim, não é razoável que uma nação que tanto almeja o desenvolvimento enfrente esse retrocesso.
    Urge, portanto, que o direito à vida seja de fato assegurado na prática como prevê o aparato estatal brasileiro. Sendo assim, é imperativo que a mídia, que tem como função transmitir informações e conteúdos variados, promova comerciais de abrangência nacional que explicitem como ocorre a doação de orgãos, bem como a relevância dessa prática para salvar inúmeras vidas, por meio de diversas fontes diferentes, como exemplo, as televisões, os jornais e as redes sociais, uma vez que esses comerciais estimulam os indivíduos na mudança comportamental para que assim os cidadãos desenvolvam o ato de solidariedade, com o fito de ampliar a empatia social e elucidar a questão do transplante de orgãos. Dessa maneira, a teoria proposta por Pierre Bourdieu não será válida no contexto social vigente.

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