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Doação de Órgãos no Brasil

Mais de 40 mil pessoas esperam por um órgão na fila de transplantes de acordo com dados do Ministério da Saúde. O número de doadores, no entanto, não consegue suprir de forma eficiente e sustentável o sistema. Isso gera um grande problema, já que um único doador pode ajudar, se doar todos os órgãos e tecidos transplantáveis, mais de 500 pessoas. É preciso, portanto, mudar a realidade da doação de órgãos no país.



Há, por trás dessa deficiência no número de doadores, duas causas principais: a legislação vigente e a ignorância em relação ao processo de doação. O código de leis atual determina que só poderá ser realizada a doação de órgãos se houver autorização dos familiares. Isso deposita sobre a família uma responsabilidade que, em meio ao luto e a dor da perda, acaba dificultando a realização do procedimento, principalmente se não houver conhecimento a respeito da vontade do indivíduo em doar os órgãos - o que é a situação padrão, uma vez que esse assunto ainda é um tabu social-. Isso se verifica pelos dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), os quais indicam que cerca de 50% dos familiares não aceitam doar os órgãos, o que reduz bastante a quantidade de doadores efetivos em relação aos doadores em potencial. Além disso, há também a falta de informação sobre a doação de órgãos, o que acaba dando espaço a mitos como o de que o velório é comprometido e o de que a doação tem custos para a família do doador. Sem as informações reais sobre o processo de doação - por falta de uma melhor explicação por parte dos médicos -, as famílias acabam recusando a doação por medos infundados.



Essa recusa em doar os órgãos tem consequências graves para toda a sociedade. Isso faz com que a fila de espera para a realização dos transplantes seja cada vez maior, já que ela está em constante crescimento e não há órgãos suficientes para suprir a demanda. Deste modo, toda a população é afetada, uma vez que qualquer um pode, em algum momento da vida, depender da solidariedade alheia para a doação de órgãos e tecidos. Com essa grande discrepância entre o número de doadores e o número de necessitados, há também a questão do sofrimento ao qual esses pacientes são submetidos, já que o sucesso de um transplante pode significar uma melhora exponencial na qualidade de vida dos indivíduos. Portanto, doar órgãos é também um ato de humanidade, pois possibilita o bem estar e a manutenção da vida de várias pessoas em condições desfavoráveis de saúde.



Deste modo, é preciso tomar medidas a fim de solucionar esse problema. Para isso, é preciso que o Poder Legislativo se mobilize a fim de alterar as leis vigentes, propondo uma nova lei de doação compulsória, na qual presume-se a autorização para a doação para todos os indivíduos, a menos que este se manifeste em vida a respeito das restrições. Além disso, é possível que haja campanhas de conscientização realizadas por alunos de medicina de unviersidades - tendo como exemplo as campanhas anuais realizadas pela UFMG -, abordando pessoas nas ruas, conversando sobre a importância da doação de órgãos e desmistificando medos irreais a respeito do processo. Assim será possível aumentar o número de doadores e mitigar esse problema.

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