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Doação de Órgãos no Brasil

     A doação de órgãos é um ato de solidariedade que oferece às pessoas uma segunda chance. Com esse gesto, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), um só indivíduo é capaz de salvar a vida de outros oito. Apesar do crescimento do número de doadores no Brasil, muita coisa precisa ser feita para superar certas barreiras e, aumentar ainda mais os números que continuam insuficientes. A partir de uma reformulação na Lei, em 2001, a decisão para a doação ou não dos órgãos do falecido passou a ser dos familiares e, desde então, um dos principais entraves para a ampliação dos doadores estão neles. A não aceitação familiar devido a  crença religiosa e a inadequação do processo de doação de órgãos são apenas algumas das barreiras. Sob tal ótica, é necessário a discussão sobre caminhos que podem mudar a atual situação da doação de órgãos no Brasil. 


      A religião, muitas vezes, é um fator decisivo no que tange ao transplante de órgãos. Quando ocorre a morte encefálica de um paciente, devido ao coração continuar bantendo e os órgãos continuarem funcionando, a família crente em Deus, tem fé de que um milagre pode acontecer e essa pessoa possa ser curada e voltar a viver normalmente, algo cientificamente impossível quando se trata desse tipo de morte. Sendo assim, como o coração continua em atividade e muitos acreditam que ele seja o símbolo da vida, os familiares se recusam a aceitar o óbito e negam a doação. Essa situação contribuí para que hoje, segundo a ABTO, cerca de 33 mil pacientes estejam na lista de espera para um transplante.


      Ademais, a inadequação do processo de doação de órgãos é outro fator que também dificulta a aceitação familiar. Isso acontece quando profissionais da área da saúde solicitam a doação de órgãos antes de confirmar o diagnóstico do paciente, gerando revolta nos familiares que acabam se sentindo cobrados pela equipe e desconfiados. Nesse sentido, é primordial que os profissionais da saúde saibam atuar da melhor maneira ao tratar desse tema, pois, um profissional bem informado tem a oportunidade de contornar o não consentimento familiar e esclarecer duvidas de forma competente. Pesquisas feitas pelo jornal Nexo, observaram que, o fato de a família ter discutido sobre doação com o paciente ou acreditar que ele gostaria de ser doador, é essencial para o consentimento das doações.


        Portanto, diante do exposto, antes que os números de doadores caiam ainda mais por falta de informação e comunicação, é preciso intervir. Logo, cabe ao Ministério da Cultura, juntamente do Ministério da Saúde, implementar feiras com palestras e cartazes explicando o processo de doação de órgãos e o quão importante ele é para salvar outras vidas. Essa medida deve ser feita por meio de panfletos que convidem o público a comparecerem nas feiras e pela presença de profissionais da área que esclareçam todas as duvidas pertinentes. Além disso, é de extrema importância a capacitação desses profissionais através de cursos, fornecidos pelo Governo por meio do Ministério da Saúde, que ensinem o passo a passo a ser seguido ao conversar com a família sobre uma possível doação. Assim, o resultado será não apenas o aumento no número de doações, mas também a maior discussão sobre o assunto, fazendo as pessoas esclarecerem qual seria o seu desejo após o óbito. Afinal, segundo o filósofo Durkheim, a sociedade é como um corpo vivo, em que uma parte depende da outra, assim como no corpo humanos depende-se funcionamento de todos os órgãos. 

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