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Doação de Órgãos no Brasil

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida”, vivenciada durante o século XX. Analisando esse pensamento, essa realidade imediata perpetua-se com os desafios da doação de órgãos no Brasil, e em detrimento da insuficiência de políticas pública e do individualismo social que se efetiva como um dos fatores que corroboram com a problemática.


Em primeira análise, é incontestável que os aspectos governamentais estejam entre as principais causas do baixo alcance de doadores no país. De acordo com a Constituição Cidadã brasileira, explana o dever estatal de construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, a ação legal encontra-se distante da efetivação haja vista que não há a eficácia da atuação do Estado em incentivar o consentimento da família desde 1968, ano que foi promulgada a primeira lei que estabeleceu a doação consentida, segundo o qual a decisão final estaria sob a responsabilidade familiar. Dessa forma, enquanto não houver efetivas campanhas, aqueles que dependem da doação serão obrigados a conviver com a espera.


Além disso, a prosperidade de doação de órgãos encontra obstáculo em uma sociedade individualista. O número de transplante no Brasil aumentou em 15,7% no primeiro semestre de 2017, se comparado com o mesmo período com 2016, segundo a Associação brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Porém, estar longe do ideal, já que muitas pessoas não têm conhecimento que a doação de órgãos só é consentida em casos de morte encefálica. Nesse sentido, o apego ao corpo e a crença na possibilidade de um milagre, pode ocasionar a recusa familiar no momento delicado, como é a morte. Com efeito, é necessário conhecimento aos cidadãos que mostrem que a morte cerebral é irreversível e quantas vidas podem ser salvas somente por uma.


Urge, portanto, que o Ministério da Saúde por meio de ficções engajadas na mídia televisiva, sobretudo nos intervalos comerciais em horários de pique lance campanhas que incentivem as pessoas a serem doadoras e dados científicos que comprovem que as chances de reversibilidade de um quadro clínico de morte cerebral é quase nula para que desperte na sociedade a necessidade de se compactuar com a causa. De forma, que principalmente as famílias aceitem a postura do morto, caso for declarado doador. Assim, o Estado estará cumprindo seu papel de acordo com a Constituição e as afirmações de Bauman sobre a realidade fiquem somente no papel.

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