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Doação de Órgãos no Brasil

Na obra "Utopia" do escritor inglês Thomas More, é retratado a sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflito. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão da doação de orgãos no Brasil apresenta inúmeras barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante desse cenário antagônico, não há dúvidas de que esse é um desafio atual, sendo necessário avaliar os fatores que favorecem esse quadro.


A infraestrutura da saúde pública é um dos pontos principais no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui uma condição de saúde eficiente. Contudo, uma pesquisa realizada pela Associação brasileira de Transplante de Orgãos afirma que muitos hospitais e centros de atendimento especializados não contam com uma infraestrutura adequada para serem realizados transplantes. Dessa forma, devido sobretudo a baixa atuação de setores governamentais, os quais muitas vezes não destinam verba suficiente, passam a contribuir notadamente para o aumento das filas daqueles que aguardam o transplante. Nesse viés, é inadmissível que uma nação com tamanha economia, enfrente desafios estruturais como este. 


Faz-se mister, ainda salientar a falta de conhecimento adequado como impulsionador do problema. Segundo a Teoria do Habitus, desenvolvida pelo pensador francês Pierre Bourdieus, a sociedade incorpora crenças sociais ao longo do tempo. Isso se evidencia, por exemplo, através de pensamentos enraizados que impedem o indivíduo a doar os orgãos após a morte, pois muitos acreditam que tal prática pode interferir em uma possível melhora do paciente, o impedindo de voltar a viver dignamente. Conquanto, de acordo com profissionais isso não ocorre, sendo assim a desmistificação desses mitos, aliados a um conhecimento adequado podem interferir positivamente na mudança desse maléfico quadro que se faz presente.


Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a melhoria na prática de doações. Logo, cabe ao Poder Legislativo, por meio de parcerias com a Organização Mundial da Saúde criar um orgão capaz de averiguar severamente o destino das verbas públicas destinadas a esse âmbito. Essa medida deve ser posta em prática objetivando por fim as precárias condições de muitas dessas instituições. Ademais, é dever das mídias como a televisão, televisionar conteúdo capaz de gerar conhecimento nos espectadores para que dessa forma, certas crenças deixem de serem entraves na realização de tal hábito. Somente assim, unindo essas medidas a sociedade proposta por Thomas More estará mais próxima de se tornar realidade.

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