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Doação de Órgãos no Brasil

         Em 1954, o médico Joseph Edward Murray realizou o primeiro transplante bem-sucedido de órgão vital, no qual foi feito entre dois irmãos gêmeos, e isso garantiu a ele o Prêmio Nobel de Medicina. No entanto, no contexto atual, percebe-se que uma parcela significativa da população se mostra indiferente à conquista de Murray, pelo fato de não haver uma cultura de doação de órgãos no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas quanto à necessidade de discutir os principais desafios enfrentados por tal problemática na sociedade.


      Em primeiro plano, cabe ressaltar a negligência governamental em não fornecer os devidos esclarecimentos sobre tal fenômeno no corpo social. Segundo o médico e presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), Roberto Manfro, acredita que o índice de doações de órgãos poderia ser mais satisfatório se a população tivesse mais acesso à informação e melhor esclarecimento sobre esse procedimento. Logo, é inaceitável que, em um país com altas taxas de tributos impostos ao cidadão, não promova políticas públicas de abordagem a doação de órgãos no tecido social, o que provoca a triste realidade vivida por muitos pacientes: a constante espera por um transplante.


        Além disso, convém frisar que falta de empatia na contemporaneidade mostra-se com um dos empecilhos para a consolidação de uma sociedade solidária. Segundo dados da ABTO, a taxa de famílias que dizem “não” a doação de órgãos no Brasil chega a 43%. Esse alarmante fenômeno pode ser analisado sob o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, no livro, “Cegueira Moral: a perda da sensibilidade na modernidade líquida”: no qual  diz que a indiferença para com seu semelhante e a ausência de empatia ao sofrimento de outra pessoa são ações extremamente presentes no mundo moderno. Desse modo, essas ações individualistas corroboram para manutenção, infelizmente, de pacientes que morrem na fila de espera por não receberem um transplante, devido a uma omissão de gestos de altruísmo presente nos indivíduos.


         Diante disso, torna-se evidente a real necessidade de medidas para combater o impasse. O Ministério da Saúde deve promover ações que abordem informações acerca da doação de órgãos para o público, por meio de campanhas informativas veiculadas em diferentes mídias para desmitificar possíveis dúvidas referentes a esse assunto, com a participação de profissionais qualificados. Ademais, o Ministério da Saúde deve realizar um curso de capacitação para os profissionais da saúde com intuito de fornecer técnicas para conduzir os familiares, no momento de luto, a fazerem a doação dos órgãos do seu ente querido, por intermédio de psicólogos que iriam treiná-los a situações que simulam a vida real, com empatia e sensibilidade. Assim, espera-se, com isso, motivar as famílias a consentirem a doação de órgãos e, consequentemente, valorizar a conquista de Murray na sociedade.

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