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Doação de Órgãos no Brasil

  De acordo com o filósofo francês Émile Durkheim, a coesão de uma sociedade se baseia na solidariedade interdependente entre os indivíduos, um verdadeiro "organismo social" semelhante ao que ocorre em um organismo vivo, em que cada órgão desempenha uma função. Estabelecendo um paralelo com a questão da doação de órgãos, verifica-se, hodiernamente, que as pessoas carecem de solidariedade e também de empatia quando se fala em doar órgãos, que advém da falta de informação da importância da doação e também do receio das más condições logísticas médicas ao lidar com os órgãos doados. 


    Nesse contexto, cabe ressaltar a grande importância na divulgação sobre a importância de ser um doador. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o número de brasileiros que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 33.200 pessoas. Tais indivíduos chegam a esperar anos para receber um órgão porque não há um mecanismo eficiente de difusão de informações pelos órgãos governamentais de como o processo da doação é realizado, nem  de que é possível salvar pelo menos nove vidas ao doar órgãos quando há morte encefálica, segundo dados da ABTO. Assim, os familiares dos indíviduos falecidos sentem receio e insegurança ao doarem os órgãos de seus entes queridos e contribuir para o grande "organismo social" porque não sabem da real importância do processo uma vez que não foram abordados anteriormente com tal discussão. 


             Além disso, a necessidade de uma boa infraestrutura para suprir a demanda logística corrobora para o receio dos familiares em doar os órgãos dos entes falecidos. Nessa perspectiva, há uma ampla falta de condições básicas para manter um órgão doado conservado até chegar a outra pessoa. Tais condições são compostas por ambientes adequados para realizar os procedimentos de retirada dos órgãos, cuidados durante o transporte e profissionais eficientes. Ainda de acordo com a ABTO, 71% dos órgãos doados no Brasil se tornaram inviáveis de serem doados porque não houve cuidados necessários para que os órgãos chegassem saudáveis aos receptores. Tal problema se reflete na grande fila do SUS, que se torna cada vez maior e as mortes nas filas de espera mais frequentes.


             Portanto, medidas são necessárias para atenuar tais dilemas. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação (MEC) promover, por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incluir na disciplina de biologia discussões e informações a respeito da doação de órgãos. Com isso, o amplo contato com as informações pertinentes ao assunto serão abordados com profundidade com as novas gerações a fim de despertar a empatia das pessoas pela causa e a consciência da importância de salvar vidas de modo a contribuir, enfim, para a coesão social dita por Durkheim. 

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