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Dessalinização da água

O consumo sustentável no capitalismo é uma problemática constante desde o século XX, a produção massificada aliada à exploração dos recursos terrestres de forma exacerbada conduz a sociedade como um todo à um quadro caótico: a crise hídrica. Apesar de 70% do globo ser coberto por água, apenas uma parcela ínfima é potável e, o grande restante, configura-se como água salgada dos mares e oceanos. Diante disso, é utilizado o argumento do processo da dessalinização da água, tido como a solução para todo o problema hídrico do futuro, tendo em vista a abundância do recurso. Porém, percebe-se que de nada adianta esse argumento sendo que, além do alto custo, é insustentável o esforço se a indústria e agropecuária continuarem a poluir e explorar desenfreadamente o planeta. O ecossistema mundial funciona como um todo e não de maneira separada, o ideal é preservar e não inventar meios de "driblar" más ações.


É indubitável a participação da agropecuária e indústrias de primeiro/segundo setor no agravamento da situação hídrica. Há uma máxima de Francis Bacon a ilustrar de maneira muito coerente esse quadro: " A natureza só é comandada se é obedecida", ou seja, para a sociedade se manter de forma sustentável é necessário que a natureza seja tratada da mesma forma. Atualmente, produz-se muito mais que o necessário no Brasil e, apesar da grande quantidade de pessoas que passam fome ou outras necessidades básicas no país, uma enorme quantidade de produtos são exportados ou, muitas vezes, desperdiçados propositalmente, tudo isso visando o lucro máximo. Desse modo, evidencia-se a insustentabilidade do sistema produtivo como se tem atualmente, os recursos hídricos, que são acima de tudo de todos, são desperdiçados por poucos detentores dos meios.


Adicionalmente, o ecossistema não funciona de forma independente em cada local do planeta, não é possível esperar que a dessalinização seja a solução de todo o problema, por mais que possa ser um meio de ajudar a combater todo o quadro. Assim como assegurado no Artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Mantendo essa linha de raciocínio, o dever dos governos, não só brasileiro como de todos os Estados, é cuidar de suas práticas produtivas e extrativistas para manter a sustentabilidade, não inventar novos meios de contornar a crise. A dessalinização não será capaz de conter todos os estragos feitos à natureza e manter a sua ordem. Porém, é interessante observar que também é dever dos indivíduos manter essa ordem por meio de suas ações no cotidiano, com práticas mais sustentáveis, como o uso transporte coletivo, veganismo, reciclagem e reutilização.


Portanto, entende-se que a dessalinização não é nada mais que um paleativo ao verdadeiro problema - apesar de útil - por trás da crise hídrica, a sustentabilidade e manutenção/preservação do ecossistema global. A fim de amenizar os impactos globais, é fundamental que aliado às Universidades Federais, o Ministério da Ciência e Tecnologia promova pesquisas com objetivo de diminuir o custo do processo de dessalinização e meios de diminuir suas consequências à natureza. Aliado à isso, deve-se ocorrer uma regulamentação relacionada ao Ministério da Agricultura e Pecuária e ao Ministério da Indústria e comércio exterior, tendo em vista a quantidade de água potável utilizada de forma irresponsável e lucrativa. Dessa forma, com base na preservação e obediência proposta por Francis Bacon, será possível minimizar os problemas futuros.



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