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Desperdício de alimentos no Brasil

            Consoante a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, todos possuem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo às presentes e futuras gerações. No entanto, quando se observa o desperdício de alimentos, no Brasil, hodiernamente, nota-se que, em razão da ineficiência governamental e do descaso popular, o meio ambiente e a sociedade sofrem com as consequências negativas provenientes dessa adversidade, fato que, por sua vez, dificulta a garantia de um direito previsto na Carta Magna brasileira.


            A princípio, cabe pontuar que a inoperância estatal no que tange à implantação de uma infraestrutura adequada ao transporte de alimentos é um dos principais motivos à manutenção dos problemas referentes ao desperdício no país. Uma prova disso está em dados publicados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), nos quais é possível notar que cerca de 30% do desperdício de alimentos ocorre na fase de transporte. Para mais, vale ressaltar que a postura negligente de significativa parte da sociedade quanto a compra em excesso e o consequente descarte dos alimentos potencializa esse imbróglio, uma vez que, segundo a FAO, aproximadamente 10% de todo desperdício decorre nos domicílios. Desse modo, infere-se que existe a necessidade de se mudar essa realidade nacional.


            Além disso, convém frisar que o meio ambiente é diretamente prejudicado com a manutenção do problema em questão, haja vista que a produção de alimentos em larga escala é potencialmente nociva à preservação dos recursos naturais, já que a utilização de agrotóxicos e fertilizantes e a prática do desmatamento – para a criação de pastos e monoculturas – são intrínsecos ao processo de produção alimentícia. Sendo assim, ao analisar a máxima do filósofo francês Serge Latouche – a qual exterioriza que o aumento desproporcional e desenfreado das atividades produtivas se tornaram uma ameaça ao futuro e a manutenção da vida no planeta, em virtude do uso negligente dos recursos naturais – depreende-se que tal postura perante os alimentos produzidos otimiza o decurso de degradação ambiental e coloca em risco o bem-estar da sociedade hodierna e da posterioridade.


            Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Infraestrutura crie projetos que visem mitigar a problemática em questão. Com base nessa premissa, é primordial que, por meio de recursos públicos, ocorra uma melhoria na infraestrutura voltada ao transporte de alimentos, com a manutenção de rotas e a criação de métodos e percursos alternativos para uma mobilidade efetiva das produções, a fim de aprimorar a logística e atenuar o desperdício. Somado a isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, deve implementar campanhas de conscientização em escolas de todo o país, com o objetivo de mostrar as consequências desse problema e propor formas de amenizá-lo, por intermédio de palestras e do ensino de técnicas de reaproveitamento de alimentos não consumidos – como a compostagem. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, se beneficie de um direito constitucional e indispensável a vida – a garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

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