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Desafios na prevenção do câncer de mama no Brasil

     Durante a Revolução Técnico-Científico-Informacional, em meados do século XX, foram feitas diversas descobertas e inovações no campo tecnológico, revolucionando muitos setores da vida, inclusive a medicina. Entretanto, apesar dos avanços na área médica trazidos por esse período, as medidas profiláticas básicas ainda têm papel crucial no tratamento de doenças e, atualmente, no Brasil, encontram-se desafios para que a prevenção do câncer de mama seja feita corretamente, caracterizando um grave problema de saúde pública que deve ser combatido. Nesse contexto, para compreender melhor as dificuldades na prevenção dessa enfemeridade, é necessário analisar os aspectos hospitalares e culturais.
         É notório, em primeiro lugar, que a precária estrutura dos hospitais públicos e a má distribuição dos mesmos na nação dificultam o diagnóstico precoce da neoplasia mamária. Sobre isso, de acordo com o Contrato Social, proferido pelo filósofo iluminista John Locke, é dever do Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar da sociedade. Contudo, o degradante cenário brasileiro vai contra o ideal do filósofo, haja vista a precária situação em que se encontram muitos hospitais públicos, com falta de médicos e equipamentos, impossibilitando que muitas mulheres façam o reconhecimento precoce da doença em questão. Além do quadro impróprio de muitas casas de saúde, a localização das mesmas - concentradas nos centros urbanos- dificulta o acesso da população feminina das periferias e zonas rurais, desestimulando a realização de exames preventivos.
      Ademais, outro fator dificulta a prevenção do câncer de mama no Brasil: o tabu existente sobre o corpo feminino. A esse respeito, desde os primórdios da Idade Média as mulheres eram submetidas a sociedades patriarcais e machistas, que as faziam resguardar o seu corpo, de modo que, com o passar dos séculos, esse pensamento de que as mulheres não devem conhecer seu próprio corpo se enraizou nos valores sociais até a contemporaneidade. Nessa linha de raciocínio, tal conceito secular e medievalista, lamentavelmente, ainda está presente na sociedade brasileira, dificultando a identificação precoce de possíveis tumores e anomalias pela própria vítima e fazendo a mulher se sentir culpada por conhecer o corpo. Por conseguinte, esse tabu impróprio agrava o número de brasileiras acometidas por essa mazela, fragilizando o sistema de saúde do país.
       Em suma, medidas são necessárias para superar os obstáculos na prevenção da neoplasia mamária no Brasil. Logo, a fim de oferecer acesso à saúde de qualidade para todas as brasileiras, o Ministério da Saúde, na condição de organização governamental responsável pela manutenção das instituições hospitalares do país, deve promover reformas nos hospitais públicos mais necessitados, com especificidades para a detecção do câncer de mama, e deve construir clínicas e hospitais nas zonas rurais e periféricas de todo o país. Isso ocorrerá por meio de um maior repasse de verbas pelo Governo Federal e por parcerias com ONGs de prevenção ao câncer de mama. Além disso, a sociedade deve desconstruir os valores machistas e tabus que cercam o corpo feminino, com o intuito de propiciar o autoconhecimento e a localização precoce de possíveis tumores pelas vítimas. Dessa forma, espera-se uma melhora na situação.

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