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Desafios na Alfabetização Infantil

No livro “Fahrenheit 451”, do escritor Ray Bradbury, é apresentado um futuro distópico no qual o autoritarismo, a fim de controlar a massa e evitar rebeliões, promove a perseguição e a destruição de obras literárias, haja vista o seu papel no desenvolvimento do pensamento crítico e autônomo. Para tanto, existem os bombeiros, que, ao contrário do que faziam no passado, eram os responsáveis pela queima de incontáveis livros ou de qualquer outra manifestação artística censurada. Fora da ficção, é fato que a narrativa apresentada por Bradbury pode ser relacionada ao atual cenário brasileiro: infelizmente, o acesso à literatura não é efetivado em sua totalidade, posto que, ainda no século XXI, a alfabetização infantil encontra desafios para ser universalizada no país. Esse triste cenário persiste como subproduto da displicência governamental e do silenciamento social. Com isso, urge a adoção de estratégias para reverter esse panorama.


Constata-se, a princípio, que, de acordo com o artigo 205 da Constituição Federal, o acesso à educação é um direito universal, e que cabe ao Estado, como assegurador dessa garantia, proporcionar o pleno desenvolvimento do cidadão por meio das instituições de ensino. Entretanto, tal premissa constitucional não é integralmente cumprida pelo Poder Público, dado que a alfabetização infantil ainda enfrenta obstáculos para ser alcançada com plenitude. Tal transtorno perdura devido aos insuficientes esforços do governo, seja na preparação de uma infraestrutura adequada para atingir toda a população, seja pelo desinteresse em capacitar profissionais da educação em metodologias inclusivas e focadas nas dificuldades de cada aluno. Dessa forma, corrobora-se o conceito de “Cidadania de Papel”, do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, o qual disserta sobre a inefetividade dos direitos constitucionais, uma vez que não são devidamente executados. Vê-se, então, uma grave falha do governo que, com urgência, deve ser corrigida.


Ademais, nota-se, ainda, um intenso silenciamento do assunto, porquanto a população brasileira se mantém passível diante da problemática exposta. Nesse sentido, o conceito de “atitude blasé”, do sociólogo alemão Georg Simmel, vai ao encontro da realidade supracitada. Em seus postulados, Simmel discute a respeito do comportamento apático presente na sociedade contemporânea, no qual os indivíduos passam a agir com indiferença em diversas situações do cotidiano. Tal conduta pode ser evidenciada pela inércia social em pressionar os órgãos governamentais a melhorarem o sistema educacional oferecido pelas escolas públicas, para que todo o cidadão possa ter igual acesso à instrução e à alfabetização, conforme previsto por lei. Assim, enquanto a população mantiver uma postura inerte frente aos óbices sociais, dificilmente estes serão resolvidos.


Logo, faz-se necessária atuação conjunta do governo e da sociedade na dissolução dessa problemática. Destarte, cabe ao Ministério da Educação criar um projeto de expansão da oferta educacional, preferencialmente destinada à educação básica, mediante investimentos assíduos em construções de novas escolas, com ênfase em lugares afastados, e em cursos profissionalizantes voltados para a área da educação inclusiva, a fim de garantir aos indivíduos, logo na infância, a alfabetização e a educação essenciais para o desenvolvimento da cidadania. Além disso, a população deve, por meio do ativismo social e digital, pressionar o Poder Executivo pela perene aplicação dos direitos constitucionais. Enfim, os brasileiros terão acesso irrestrito à cidadania e à literatura, distanciando-se, felizmente, da intolerável realidade retratada por Bradbury. 
 

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