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Desafios na Alfabetização Infantil

   O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema "Mãos dadas", apresenta um eu lírico que ressalta a importância do engajamento coletivo para a modificação de uma realidade não funcional. Desse modo, é válido estabelecer uma analogia entre essa composição poética e a falta de alfabetização infantil no Brasil, posto que a resolução deste entrave também necessita de um processo de articulação conjunta, tanto de segmentos políticos quanto dos sociais. Nesse sentido, é preciso analisar essa questão no país.


    Em primeiro lugar, verifica-se que o Estado afasta-se de seu caráter democrático ao permitir a não alfabetização infantil. Isso porque há uma falha, por parte dos órgãos executivos, no processo de conscientização, uma vez que falta informar aos pais sobre a importância da prática de literacia familiar para o letramento das crianças, o que prejudica o desenvolvimento completo da linguagem dos infantes e, por conseguinte, o direito à cidadania destes. Esse quadro pode ser explicado pelos estudos do filósofo Charles de Montesquieu, já que, segundo ele, a violação de garantias constitucionais é um reflexo da desregulação entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).


     Ademais, enfatiza-se a ausência de mobilização social para combater a não alfabetização infantil. Como prova disso, percebe-se a apatia de parte da sociedade em não lutar por investimento estatal, visto que faltam verbas para promover a formação continuada dos professores da educação básica sobre os métodos de letramento, comprometendo, dessa forma, a proficiência das crianças em leitura, escrita e oralidade. Recorrendo às reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para esclarecer esse cenário, nota-se que o pessimismo da modernidade exerce influência nas pessoas, fazendo com que elas passem a aceitar quadros negativos.


       Admite-se, portanto, que a falta de alfabetização infantil deve ser superada. Logo, é necessário reivindicar do Poder Executivo, mediante os outros poderes republicanos constituídos, a conscientização social, priorizando projetos educativos realizados com pedagogos sobre a necessidade dos pais estimularem o desenvolvimento da linguagem de seus filhos, com o objetivo de garantir o pleno exercício da cidadania dessas crianças. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, acerca da importância de se adotar uma postura não resignada perante o analfabetismo na infância, potencializando, assim, o engajamento coletivo em prol de verbas, a partir do ministério competente, para a promoção de cursos sobre o letramento para os educadores. Desse modo, como na obra de Carlos Drummond de Andrade, a união de forças poderia permitir a modificação de uma realidade negativa.

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