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Desafios do jornalismo contemporâneo

                A necessidade do compartilhamento de informações factuais e eventuais surge desde que as sociedades são estabelecidas. O jornalismo agrega, em sua essência, a coleta, análise e disseminação de quaisquer dados que possuam relevância social. Entretanto, de acordo com a evolução sociopolítica do ser humano, tornou-se notável a presença de terceiros na essência jornalística, fatores esses que não possuem espaço numa comunicação literal e imparcial: a alienação do receptor, e por conseguinte a manifestação hegemônica da parcialidade jornalística.


Segundo Paulo Freire, a alienação do sujeito sempre irá impedir a criticidade e o pensamento múltiplo para a formação do sujeito histórico. Nesse sentido, a massificação do pensamento público, em conjunto com a indiferenciação pessoal, que decorre de um longo processo de desvalorização das múltiplas habilidades desde a primeira infância nas escolas, ocasiona a falta de poder critico, ou seja, de poder social ao alcance da população brasileira, ao passo que essa é privada de uma educação básica que forme sujeitos críticos e formadores de opinião.


Com efeito da alienação da população, ocorre o que Gramsci define como hegemonia, talvez não especificamente de classes, como o teórico desenvolve, mas de ideias. No que tange ao conceito, Antonio Gramsci pontua claramente que para ocorrer a existência da dominação de ideias, o dominado deve ser passivamente conivente com a imposição ideológica: a população, sendo acrítica, se torna inconscientemente de acordo. De fato, o jornalismo contemporâneo é impregnado da hegemonia social, que correlaciona o sujeito alienado com a imparcialidade da comunicação, sobrepujada pela disputa de interesses sociopolíticos da parcela socialmente dominante no país.        


Finalmente, pode-se inferir que a esfera pública e social necessita de mudanças. Cabe às Secretarias de Educação Municipais reformularem sua metodologia de ensino básico, por meio de novas diretrizes de funcionamento, com objetivo de iniciar o desenvolvimento da criticidade e o sujeito histórico logo na primeira infância. Ademais, é de responsabilidade da Associação Brasileira de Imprensa pressionar e fiscalizar o jornalismo brasileiro, com intuito de mantê-lo o mais livre possível de interesses políticos e parcialidades que hoje se manifestam nitidamente.

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