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Desafios da alfabetização tecnológica para os idosos

        O escritor italiano Humberto Eco diz, em seu livro “Apocalípticos e Integrados”, que é impossível imaginar a contemporaneidade sem os meios de comunicação. De fato, no século XXI, as tecnologias da informação assumiram papel de destaque. Entretanto, é possível notar que os benefícios da vida conectada não se estendem igualmente a todos, haja vista o quadro de exclusão dos idosos no “mundo digital”.


         Em primeiro lugar, há de se notar que o espaço virtual não é inclusivo, o que denota o desrespeito à terceira idade no país. Tal problemática é fomentada pela postura negligente do setor produtivo, que dedica seu apelo comercial somente aos mais jovens e não se adequa aos idosos e suas necessidades particulares. Por essa razão, o acesso a tecnologias, como a internet, é dificultado, tornando inviável o seu uso entre os mais velhos, os quais representam menos de um quinto dos usuários, segundo dados do IBGE. Desse modo, o excludente ramo tecnológico impõe inúmeras dificuldades a essa parcela da população, o que, por sua vez, perpetua a falsa noção de incapacidade a ela associada.


       Por conseguinte, a população anciã permanece alienada frente à integração social da qual é excluída. Nesse sentido, convém evocar o sociólogo inglês Nick Couldry, que define como voz o meio pelo qual o indivíduo interage socialmente, expondo suas ideias, opiniões e necessidades. A internet, nesse caso, pode ser vista como extensão da voz humana, uma vez que permite a ampliação da comunicação e do aprendizado, essenciais para a saúde psicossocial dos idosos. Nesse ínterim, negligenciar a instrução tecnológica desse grupo significa relegá-los a um anonimato involuntário.


       Diante disso, vê-se que a alfabetização tecnológica no país é defasada e exclusiva. Para mudar isso, o Governo Federal pode, por meio de editais voltados às empresas do ramo tecnológico, incentivar o desenvolvimento de uma linha de produtos direcionados à população idosa, tais como celulares e computadores mais intuitivos, que respeitem suas necessidades individuais. Tal medida busca tornar esse setor do mercado mais consciente e reverter o quadro de exclusão. Paralelamente, o Governo pode propor, dentro do mesmo projeto, que as empresas ofereçam assessoria domiciliar, serviço que será oferecido ao cliente no ato da compra, a fim de instruir o idoso em seus primeiros contatos com o aparelho. Dessa forma, o uso das tecnologias será finalmente democrático.


 

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