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Desafios da alfabetização tecnológica para os idosos

  Ao longo do movimento iluminista na Europa do século XVIII, percebeu-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios da alfabetização tecnológica para os idosos no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria, mas não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse contexto, convém analisar a ineficiência dos poderes públicos na efetivação de direitos e o papel do corpo social na problemática em questão.


  Em primeira análise, é inegável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de programas públicos que objetivem a educação digital para idosos rompe essa harmonia, haja vista que, embora a Carta Magna de 1988 garanta o direito à inclusão digital a todos, muitos são os maiores de 60 anos que enfrentam dificuldades para entender a linguagem e as funções dos meios digitais. Assim, torna-se evidente o entrave no processo de inclusão digital dessa parcela da sociedade.


  Outrossim, evidencia-se a participação de setores sociais como fator impulsionador do impasse em questão. De acordo com Émile Durkheim, o fato social consiste em maneiras de agir e de pensar que exercem poder de coerção sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptarem às regras da sociedade onde vivem. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que o a relação de dependência do idoso com a família no ambiente digital se enquadra na teoria do sociólogo francês, uma vez que, se um jovem vive em um grupo familiar com essa situação, tende a adotá-lo por conta da convivência em grupo. Assim, o movimento que retarda a alfabetização digital dos idosos é transmitido de geração a geração agravando o problema no país.  


  É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de uma sociedade melhor. Destarte, com o intuito de atenuar a problemática, cabe ao Poder Executivo Federal, por meio de Ministério das Comunicações, elaborar programas educacionais públicos para alfabetização dos idosos em todo o país. Ademais, conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, por meio das instituições de ensino médio, palestras ministradas por pedagogos para que discutam a importância da alfabetização digital para os maiores de 60 anos, e como a família pode ajudar nesse processo, a fim de que o tecido social se desprenda de certas amarras e não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.

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