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Democratização do acesso aos livros

"No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho." De maneira análoga ao trecho do poema de Carlos Drummond, pode-se estabelecer uma relação metafórica entre as "pedras no caminho" e os desafios da democratização do acesso ao livro no Brasil, uma vez que esse impasse precisa ser retirado do âmbito social. Nesse sentido, é lícito afirmar que as raízes históricas e a desigualdade social contribuem para a perpetuação do problema.


Sob esse viés, é possível observar que os princípios culturais interferem diretamente no acesso à leitura. O livro "A Menina que Roubava Livros", do australiano Markus Zusak, retrata o cenário da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, quando os livros que apresentavam ideias contrárias ao regime foram queimados em praça pública. A  protagonista - Liesel - se viu obrigada a furtar livros, visto que a leitura era um hábito digno de ser cultivado apenas pela elite. Hodiernamente, após quase um século, a mentalidade de que somente a classe alta pode ter acesso ao livro, ainda se mantém e reflete em um número pequeno de leitores, tendo em vista que a maior parte da população brasileira pertence à classe média ou baixa. Consequentemente, as raízes históricas culminam na concepção elitista do hábito de leitura.


Outrossim, vale postular a ausência de igualdade social no Brasil como agravante da problemática supracitada. Durante a Revolução Francesa, os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade se estabeleceram como princípios fundamentais de toda a sociedade. No entanto, analogamente, a igualdade é um conceito utópico para o brasileiro e a falta da mesma impossibilita a democratização do acesso à leitura, visto que, infelizmente, os impostos cobrados sob a importação das obras literárias crescem exponencialmente, além dos custos com a fabricação do livro que aumentam devido a exigência de alguns leitores que têm recursos financeiros mais abundantes.  Desse modo, a desigualdade social resulta no aumento da disparidade, primordialmente cultural, dos menos favorecidos.


Dessarte, diretrizes que formulem mudanças são imprescindíveis para amenizar o impasse. O Ministério da Educação deve elaborar novas regulamentações às editoras - principalmente áquelas que comercializam a literatura nacional com preços exacerbadamente altos por conta do material utilizado na fabricação dos livros - estabelecendo a venda de edições brochura mais acessíveis, como as já disponibilizadas pela editora Ciranda Cultural. Tais regulamentações tomarão forma por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputados, com o fito de viabilizar a compra de livros e, assim, espera-se que as "pedras no caminho" em relação a democratização ao acesso à leitura no Brasil sejam retiradas progressivamente.


 

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