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Democratização do acesso aos livros

        No livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, é retratada uma distopia em que os bombeiros são agentes responsáveis pela queima de livros. Controlados pelo Ministério - governo da sociedade -, tanto esses profissionais, quanto os demais cidadãos, são alienados e manipulados sobre a realidade, uma vez que a ausência da leitura refletia numa população sem criticidade. Analogamente à ficção, no Brasil, a falta da democratização do acesso aos livros representa um óbice social que impede o desenvolvimento intelectual pleno dos indivíduos. Logo, é imprescindível averiguar o desdobramento da problemática e a consequência dessa faceta.


        Em primeira instância, é válido ressaltar que a negligência governamental é o principal fator que perpetua o impasse. Durante o período colonial, quando a família real portuguesa e sua corte se estabeleceram no país, foram instaladas universidades para que essa mínima parcela abastada da população pudesse ter acesso a educação e, assim, literaturas de qualidade. No entanto, apesar desse acontecimento ter ocorrido há mais de 200 anos, é nítido que a elitização do principal instrumento didático ainda caracteriza o cenário atual brasileiro. Dessa forma, a falta de políticas públicas e mobilização das autoridades nacionais para reverter esse quadro evidencia o descaso, enraizando o infortúnio na cultura verde-amarela.


        Outrossim, é cabível salientar que a desigualdade social se torna mais profunda como resultado da prolongação dessa adversidade. Desde o Iluminismo sabe-se - ou deveria se saber - a importância do desenvolvimento intelectual para a promoção de uma sociedade mais justa e equilibrada. Isso se daria através da presença crítica das opiniões do povo nas questões sociais. Todavia, a alienação gerada pela ausência do contato individual dos mais hipossuficientes com livros permite que eles  se tornem manipuláveis - como os indivíduos do romance distópico - e, consequentemente, marginalizados pelo resto da comunidade.


        Portanto, é inegável que a a ausência da democratização do acesso aos livros representa um entrave que urge soluções. Para isso, é de suma importância que o Ministério da Economia - responsável pela criação de projetos de âmbito nacional - elabore um plano para construção de bibliotecas públicas em cada cidade do país. Isso seria feito através de parcerias com o Ministério da Educação, mídia e organizações não governamentais, a fim de promover uma administração eficiente do processo, além de disseminá-lo, solicitando doações voluntárias para realização do objetivo. Somente assim, o Brasil poderá superar essa questão, caminhando em direção oposta a sociedade de Fahrenheit 451.

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