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Crise hídrica no Brasil

Em junho de 1940, o célebre escritor Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido às perseguições nazistas na Europa. Nesse contexto de busca por um novo lar, foi bem recebido e, impressionado com o potencial da nova casa, escreveu um livro cujo título é ainda permeado na contemporaneidade: "Brasil, país do futuro". No entanto, ao analisar a crise hídrica no país, não se percebe o ideal descrito na obra, devido não só à inércia do Estado na solução desse infortúnio, mas também à ineficiente mobilização social para combater o entrave abordado. 


Primordialmente, é válido pontuar a omissão das autoridades nacionais como fator de agravamento do quadro. Dessa forma, é visível a falha estatal quando não se veem políticas públicas eficazes para combater a crise hídrica no Brasil, o que gera um cenário segregador, visto que a água é de grande importância nas atividades econômicas e no dia a dia da população. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado a sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: "normal e patológico". Sob essa ótica, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema falho não favorece o progresso coletivo. Somado a isso, a lacuna deixada pela administração pública brasileira estimula o caos no abastecimento, uma vez que não se tem planejamento para reaproveitar a água e torná-la adequada para o uso das famílias brasileiras. Desse modo, políticas públicas eficazes resolveriam grande parte do problema e tornariam possível o acesso à água, prevista como direito fundamental pela Organização das Nações Unidas, em 2010. 


Outrossim, cabe ressaltar a ineficiente mobilização social como pilar de aprofundamento do cenário. Tal estorvo advém de uma indiferença dos cidadãos para com a crise hídrica no Brasil, pois grande parcela da população, apesar de estar ciente do problema, não economiza água ou utiliza produtos sustentáveis, o que caracteriza esse comportamento negligente como um "eclipse de consciência", termo - conforme o literato português Jose Saramago, no romance "Ensaio sobre a cegueira" - utilizado para sintetizar a ideia da falta de sensibilidade do indivíduo perante os imbróglios enfrentados pelo próximo. Nesse caso, o contingente populacional desprovido da oportunidade de acesso à água. Por conseguinte, sob efeito desse fenômeno, considerável parte do corpo social ignora a querela em questão, promovendo, de forma preocupante, a invisibilização do empecilho no contexto hodierno, o que torna, portanto, urgente o desenvolvimento de métodos interventores para saná-lo. 


Diante do exposto, fica clara a necessidade de combater a crise hídrica no Brasil devido aos seus malefícios à conjuntura social. Dessa maneira, será dever do Ministério do Meio Ambiente - instituição de alta relevância para o país -, potencializar campanhas nos centros das cidades e também no interior, além de blitze, plenárias públicas e posts nas mídias sociais, com o objetivo de abranger o máximo de pessoas possíveis e informar por que a água deve ser economizada por toda a população, visto que é um recurso essencial. Além disso, precisa-se que o MMA desenvolva projetos de reutilização da água por meio de estações de tratamento divididas em pontos específicos do país, fazendo com que a população mais afastada tenha a oportunidade de acesso à água limpa e potável, com o intuito de melhorar a qualidade de vida da coletividade social e garantir a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos direitos humanos fundamentais. Feito isso, ter-se-á o ideal proposto por Zweig e a sensibilidade que pedira Saramago.


 


 


 


 


 


 

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