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Cooperativismo como alternativa social
O escritor Stefan Zweig, no século XX, exilou-se no Brasil em razão da perseguição comandada por nazifascistas aos judeus na Europa. Ao se encantar com a hospitalidade dos brasileiros, o austríaco escreveu um livro cujo título é repetido até hoje: "Brasil, país do futuro". Entretanto, ao analisar a carência no cooperativismo como alterativa social, percebe-se que Zweig errou em sua previsão. Infelizmente, nota-se uma construção nacional voltada à competição. Certamente, muitos preferem viver à luz da cegueira, eliminando todo e qualquer ação avesso a sua.

Convém ressaltar, a princípio, que, segundo Sócrates, os erros são consequências da ignorância humano. Nesse sentido, é válido observar que, a partir do descaso estatal em relação ao cooperativismo, o trabalho em conjunto como alternativa social tem o seu alcance minimizado e subaproveitado, pois não há influências necessárias para intensificar esse crescimento. À vista disso, é interessante destacar que tal conjuntura é intensificada pela suficiente efetividade do Estado na construção de uma população em que o fim maior é o lucro e não o homem. Bom exemplo disso é a transformação da sociedade mecânica na sociedade orgânica. Dessa forma, a formação de uma cultura capitalista tornou-se um empecilho ao cooperativismo.

Além da negligência estatal, esse cenário se revela ratificado por fatores socioculturais. Na história do país, com a chegada oficial da colonização portuguesa, iniciou-se a busca por mercado e por enriquecimento, desvalorizando e eliminando práticas culturais de trabalho em conjunto desenvolvidas pelos índios. Lamentavelmente, tal perspectiva encontra-se até hoje no território brasileiro. Prova disso é o incentivo, como isenção fiscal, do Estado à intensificação do capitalismo e da competição. Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade encontrada na consolidação e na ampliação do cooperativismo como alternativa social continuará a acontecer, pondo em xeque a solidariedade.

Em suma, medidas são necessárias para a amplificação e solidificação do cooperativismo como alternativa social. Não se pode ignorar os benefícios que a solidariedade proporciona. Pelo contrário, o Estado deve e pode, por meio do Ministério público, valer-se do seu poder de coerção para influenciar o desenvolvimento do trabalho em conjunto, a partir da transmissão - auxiliada pelos meios de comunicação - de informações sobre os benefícios proporcionados, a fim de aumentar a solidariedade entre a população, em que o fim maior se tornará o homem e não o lucro. Assim, talvez, a profecia do escritor austríaco se realizará.

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