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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

O poema “Vício da Fala”, de Oswald de Andrade, demonstra, em seus versos, diferenças no modo de falar brasileiro, por exemplo, quando o eu lírico exemplifica que determinado grupo diz “milho”, enquanto outro diz “mio”. Contudo, atualmente, essa diversidade lexical é acompanhada de um triste quadro de preconceito linguístico, que recai, principalmente, sobre as minorias étnico-culturais. Nessa conjuntura, é fundamental encontrar meios de combate a essa forma de discriminação, com destaque à superação do legado histórico e ao papel da educação.


Primeiramente, para a supressão dessa problemática, é fundamental a superação de suas raízes. Nesse sentido, nota-se que, desde o período da colonização, o Brasil esteve marcado pela forte presença do preconceito linguístico, uma vez que os europeus julgavam as línguas indígenas e africanas como inferiores, e, por conta disso, tentaram impor o português sobre as diversas etnias. Dessa forma, atualmente, o legado histórico permanece na sociedade, fazendo com que muitos cidadãos, sobretudo das áreas urbanas do Sudeste, discriminem os outros modos de falar presentes na nação, como o do Norte e do Nordeste, bem como da população rural. Consequentemente, a desigualdade regional é ainda mais acentuada, visto que essa conjuntura aprofunda o quadro de exclusão desses grupos.


Ademais, a educação desempenha um papel fundamental no combate a esse entrave, conforme ressalta o filósofo Immanuel Kant, segundo o qual o indivíduo é resultado da formação que recebe. No entanto, na sociedade brasileira, nota-se que esse importante recurso não é direcionado para essa finalidade, uma vez que, na grande maioria das escolas, a língua portuguesa é ensinada sobre o viés exclusivo da norma culta, ou seja, desprezando as variantes regionais e informais do idioma. Por conseguinte, desde os primeiros anos os sujeitos internalizam que a gramática formal é a única considerada adequada, o que resulta em um preocupante cenário de desprezo quanto às outras formas de comunicação verbal. 


Diante dos pontos mencionados, portanto, cabem medidas que combatam o preconceito linguístico no Brasil. Nesse contexto, é papel do Ministério da Educação, por meio da alteração na grade curricular do português nas instituições de ensino, incluir nessa disciplina as outras concepções do idioma presentes na nação. Para tal, além da norma culta, os alunos devem ser instruídos acerca dos dialetos típicos de outra regiões do país e das variações informais presentes em diferentes grupos, como os habitantes do interior e das periferias, de modo a desmistificar a idealização de um modo de falar superior aos outros. Assim sendo, a diversidade evidenciada em “Vício da Fala” será, felizmente, respeitada.

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