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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

   O respeito à diversidade linguística constitui um pilar fundamental para a promoção do exercício pleno da cidadania, condição essencial para a construção de uma sociedade pautada no bem-estar coletivo. No entanto, a supervalorização da norma detentora de maior prestígio social e o desprezo pelas outras variedades linguísticas predominam na constituição dos modelos socialmente impostos. Tal imposição de padrões, reforçada pelo pouco preparo do atual sistema educacional para lidar com a diversidade humana, estimula ações discriminatórias, limitando o combate ao preconceito linguístico no Brasil. 


   Conforme o renomado sociólogo Jessé Souza, embora o Brasil seja um país marcado pela diversidade, a formação sociocultural do seu povo se estrutura por meio do "Culturalismo Científico", estratégia através da qual os ideais elitistas são impostos à população como se fossem verdade científicas incontestáveis.Nessa perspectiva, apesar da Língua portuguesa possuir suas variedades, a sociedade ainda enxerga a norma culta, imposta por grupos específicos da elite, sendo unicamente correta. Tal preconceito gera conflitos - como o senso de que o dialeto dos sulistas é mais correto que o dos nordestinos - os quais, lamentavelmente, revelam o caráter de uma sociedade alienada, que naturaliza ações de violência simbólica, em relação às variedades da Língua, falhando na busca pelo bem-estar social. 


   Além dessa questão cultural, o educador Paulo Freire ainda acrescenta que o atual sistema educacional, ao consolidar um ensino mecanizado e não libertador, pouco prepara para a formação de cidadãos críticos e voltados para a transformação social.Nesse viés, com a formação de pessoas de senso comum cristalizado, intensifica-se o preconceito linguístico, uma vez que não se esclarece sobre a importância e a existência da diversidade da Língua ao longo da história, reforçando somente uma visão voltada para verdades absolutas.Essa situação, infelizmente, mostra que a escola descumpre seu papel de agente transformador, perpetuando a formação de indivíduos inaptos à mudança. 


   Portanto, a fim de possibilitar caminhos para o combate ao preconceito linguístico, é imprescindível a atuação do Ministério da Educação, tendo em vista ser o responsável pelas diretrizes educacionais do país.Essa atuação deve ser feita de maneira que,nas escolas e nas universidades,  por meio de aulas dinâmicas e de projetos de extensão com professores das áreas de Ciências Humanas e de Linguagens, busque-se tornar o aluno mais ativo no processo de entendimento da formação linguística do país, prezando uma educação pautada no respeito mútuo, quebrando preceitos impostos. Com tais medidas, pode-se caminhar para a promoção do bem comum. 

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