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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

   No século XX, João Cabral de Melo Neto escreveu "Morte e Vida Severina" e objetivou promover a valorização dos falares nacionais e da pluralidade da língua. Contudo, mesmo depois de décadas, substancial parcela da sociedade brasileira se mostra incapaz de aceitar a diversidade exposta pelo autor, o que dificulta o combate ao preconceito linguístico no país. Com efeito, para reverter a situação, há de se descontruir não só a negligência escolar, bem como os esteriótipos criados sobre alguns indivíduos.


   A princípio, evidencia-se que o modelo de educação vigente no país potencializa a discriminação da linguagem. A esse respeito, Paulo Freire afirmava que a escola deveria ter íntima relação com a realidade do aluno para não se limitar ao universo teórico - problema conhecido como academiscimo. Entretanto, a pedagogia contemporânea vai de encontro ao ideal freiriano, visto que o ensino da língua basea-se apenas no "academiscismo", isto é, a formalidade do ídioma, o que subjulga os indivíduos com outras variantes e cria uma falsa "linguagem correta". Dessa forma, é incoerente que um país com tamanha diversidade linguística mantenha um sistema educacional que limite e exclua as suas particularidades.


   Ademais, os esteriótipos criados sobre determinadas regiões do país reafirma o preconceito linguístico. Nesse viés, o filósofo Mikhail Bakhtin ensina, na obra "Carnavalização da Sociedade", que o riso é capaz de descontruir um grupo marginalizado e incentivar o preconceito. Nesse contexto, a mídia, ao tratar de forma cômica os falares de baixo prestígio social - a exemplo da pronúncia nordestina -, colabora com a perseguição da linguagem e manifesta na prática a realidade denunciada por Bakhtin. Logo, enquanto os esteriótipos se mantiverem, o Brasil será obrigado a conviver com um dos maiores problemas do Estado Democrático de Direito: a exclusão linguística.


   Torna-se importante, portanto, ressaltar a urgência de ações para frear o preconceito linguístico no país. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação deve promover o ensino plural da língua nas escolas, por meio da incorporação dos diversos falares regionais nos livros didáticos desde a primeira infância, com intuito de descontruir, com urgência, o atual modelo que favorece apenas a formalidade. Outrossim, a sociedade civíl precisa repudiar, por intermédio de debates nas redes sociais que combatam a prevalência de uma variante sobre as demais, as manifestações de preconceito contra os falares de baixo prestígio. Essa medida visa descontruir os esteriótipos da língua, o que promoveria a valorização dos linguajares nacionais, assim como desejava João Cabral de Melo Neto. 

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