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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

A ilha de Utopia, idealizada por Thomas Morus, retrata uma civilização desprovida de hostilidade e, então, altamente tolerante. Todavia, percebe-se a inexistência desse lugar no mundo real, pois o preconceito linguístico é um fato persistente que concretiza exorbitantemente a intolerância e o pensamento autoritário sob as demais línguas e sotaques. Diante disso, deve-se analisar como a herança histórico-cultural e a inoperância estatal provocam tal problemática em questão. Antes de tudo, vale salientar que qualquer processo de seleção implica um processo de exclusão. Assim, sob uma análise histórica, o uso do termo dialeto sempre foi carregado de preconceito racial ou cultural associado a uma maneira errada, feia ou má de se falar uma língua. Essa visão decorre do século XVI, quando a igreja católica, durante o processo de colonização, instituiu uma linguagem eurocêntrica por meio da catequização dos povos indígenas, com o intuito de caracterizar o "diferente" com estranhamento e inferioridade, como forma de obter o controle social e a naturalização da dominação política. A sociedade, então, por tender a incorporar estruturas sociais de sua época, conforme defendeu Pierre Bourdieu, naturalizou tal padrão e o reproduziu ao longo das gerações com a exclusão. Faz-se mister, ainda, salientar a inoperância estatal como impulsionador do impasse. Isso porque a educação não é totalmente priorizada pelo Estado, visto que, o governo não oferece investimentos e recursos necessários para o ensino de qualidade. Sendo assim, essa deficiência educacional brasileira é utilizada muitas vezes por outros cidadãos e pela mídia para criar um imaginário de fala errada e fala de quem é "pobre". A exemplo, a personagem Adelaide do programa Zorra Total, é tratada como uma negra, de aparência grotesca e que não fala conforme a norma culta da língua. Com efeito, origina-se a segregação e a inferiorização de uma minoria que fala de maneira pouco convencional dentro do padrão aceito, bem como, naturaliza o baixo acesso à educação pelas classes inferiores. Torna-se evidente, portanto, que a herança histórico-cultural e a inoperância estatal acentuam o preconceito linguístico no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Educação deve, por meio de prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais, incentivar o debate direcionado acerca das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português a fim de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos. Além disso, o Poder Legislativo deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional. Assim, será possível garantir a realidade proposta por Thomas Morus, construindo-se, então uma sociedade mais harmônica.
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