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Combate ao preconceito linguístico no Brasil
O parnasianismo foi uma das escolas literárias que mais exerceu influência sobre o comportamento social no Brasil do século XX. Essa vanguarda apregoava o uso rebuscado da língua portuguesa, bem como a adoção de normas gramaticais rígidas. Desde então, o brasileiro passou a valorizar de maneira diferencial aquele que apresenta um discurso mais polido, mesmo que, às vezes, pouco seja efetivamente compreendido. Nesse sentido, o preconceito linguístico surgiu como meio de diferenciação e controle social sobre as classes mais desfavorecidas. Com isso, urge a necessidade de combate ao preconceito linguístico por meio de medidas educacionais.
Conforme o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, o português praticado no Brasil se difere substancialmente da língua lusitana, em função da miscigenação étnica que aqui ocorre desde o início da colonização. Desse modo, a hostilidade linguística objetivou a composição de uma hierarquia social baseada na língua, na qual os senhores buscam se diferenciar do modo de falar de seus subordinados. Dessa forma, segundo dados historiográficos, o migrante nordestino, por exemplo, era imediatamente identificado por seu modo de falar e, posteriormente, alocado nas periferias de São Paulo, onde ocupava vagas de trabalho menos prestigiadas. Sob tal ótica, infere-se que a maneira de se expressar é um significante social que permite, instantaneamente, atribuir virtudes ou preconceitos ao interlocutor.
Albert Einstein, cientista contemporâneo, afirma que é mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar preconceitos. De maneira análoga, a discriminação linguística constitui-se apenas como um desdobramento de uma mentalidade colonialista, patriarcal e dominadora. Com efeito, a eliminação dos preconceitos linguísticos depende, em última análise, da redução das desigualdades sociais. Assim, o distanciamento social orquestrado a partir da segregação linguística impede o convívio entre diferentes estratos sociais. Com isso, a intolerância linguística é mantida e reforçada como consequência do progressivo e constante afastamento social e geográfico entre os indivíduos.
Depreende-se dos fatores fundantes e mantenedores do preconceito linguístico que ações corretivas são necessárias. Para tanto, o Ministério da Educação e Cultura deve fomentar a inclusão de diretrizes educacionais que abordem, desde a educação básica, a existência e naturalidade das variantes linguísticas presentes no território brasileiro. Com isso, espera-se impedir o recrudescimento de ideias segregacionistas baseadas no modo de falar do outro. Com efeito, a longo prazo, estima-se que essa medida proporcione mais espaços de convivência entre as diferentes classes sociais e, com isso, oferecer melhores condições culturais e laborais à população, minorando, portanto, o preconceito linguístico.
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