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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

O Modernismo brasileiro, qual teve início em 1922, tinha como uma de suas principais críticas a formalidade exacerbada utilizada em movimentos literários anteriores, como no Parnasianismo, em que a cultura europeia era valorizada. Contrapondo-se aos parnasianos, os modernistas valorizavam a língua nativa falada e a cultura nacional, como ilustrado em versos de Oswald de Andrade no poema "Pronominais", de que a gramática do professor diz "dê-me um cigarro", enquanto que o mulato sabido, o bom branco e o bom preto dizem "me dá um cigarro". Apesar de ter sido defendida pelos modernistas, a variedade linguística brasileira enfrenta preconceito diário, visto que a linguagem, hodiernamente, é instrumento de exclusão social e indício de inteligência.
Vale ressaltar, a princípio, que o preconceito linguístico é perpetuado e instrumentalizado como um mecanismo de controle social. Esse controle, no entanto, se dá quando somente o padrão formal da língua denota posse de conhecimento e as variedades faladas são repelidas, como se a formalidade com que se fala denotasse o nível de escolaridade do indivíduo. O preconceito, que é enraizado na sociedade brasileira desde que a língua portuguesa fora exposta aos índios, quais possuíam outros códigos de comunicação, predomina atualmente preterindo as variações regionais com relação à gramática institucionalizada. Dessa forma, ratifica-se teoria de Émile Durkheim da coerção social, na qual aqueles que não seguem as normas insituídas são repelidos socialmente, coagidos pela própria sociedade.
Em consequência disso, a coerção social exercida pelo preconceito linguístico também recai sobre os setores menos abastados da sociedade, que por sofrerem com a negligência do Estado - qual não fornece de forma plena a educação pública - acabam vítimas de um preconceito que relaciona o nível de escolaridade ao de inteligência, condenando aqueles que não tiveram acesso à educação a inferiores intelectualmente. Com a educação defasada, a parcela menos abastada não tem exposição completa à norma padrão da língua e dissemina os seus saberes com linguagem limitada, como Carolina Maria de Jesus em seu livro "Quarto de Despejo - Diário de uma favelada", em que relata, com diversos erros de ortografia e inadequações, a vida na favela. Todavia, Carolina não deve ser entendida como inferior intelectualmente somente porque não conhece a variedade padrão da língua posta em gramáticas, mas sim como uma literária reconhecida pelo exposto em sua obra, não pela forma como foi exposto.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para que o preconceito linguístico seja combatido. Em vista disso, faz-se necessário que o Ministério da Educação busque o redirecionamento de verbas para o melhoramento da infraestrutura das escolas públicas do país. Ainda, este deve contar com capacitação para os professores, intruindo-os à valorização não só da variedade formal da língua, mas também à valorização em sala de aula das variações linguísticas regionais em detrimento da discriminação. Dessa forma, tornar-se-á possível que o preconceito linguístico seja minimizado no Brasil e os conceitos modernistas acerca do falar brasileiro, defendidos por Oswald de Andrade, maximizados.
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