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Combate ao preconceito linguístico no Brasil


"Espero a chuva cair de novo pra mim vortá pro meu sertão". A música "Asa branca", de autoria do cantor e compositor Luiz Gonzaga, retrata bem a variabilidade linguística presente no Brasil, configurando-se como um instrumento identitário de um povo, nesse caso, o nordestino. Entretanto, no Brasil hodierno, a intolerância com as variações da língua portuguesa apresenta-se como uma problemática, fazendo-se necessária, então, a análise dos fatores histórico-estrutural e ideológico como problemas dificultantes do combate ao preconceito linguístico.
Mormente, é incontrovertível que a imposição do português como língua oficial no século XVI em detrimento da língua indígena e africana representa o início do preconceito linguístico no território brasileiro. E, mesmo após a proclamação da República e a instauração da Carta Magna de 1988, essa discriminação ainda persiste no país. De acordo com o escritor Maurizzio Gnerre, a única falha em aberto à discriminação, segundo os princípios democráticos, é aquela que se baseia nos critérios de linguagem e educação. Exemplificando, torna-se notório na sociedade brasileira o forte desrespeito com cidadãos menos escolarizados que, embora possuam amplos conhecimentos, como culturais e regionais, ainda enfrentam o preconceito de boa parte da população pelo fato de não se comunicarem de acordo com as regras da gramática normativa. Assim, entende-se que é indispensável a união do Poder Público e da coletividade na tentativa de combater essa problemática.
Outrossim, a perpetuação da ideologia do domínio da norma padrão do português como fator indicativo de superioridade e acensão social impulsiona o preconceito. Para Karl Marx, a ideologia constitui um corpo sistemático de representações quem nos "ensinam" a pensar e de normas que nos "ensinam" a agir. Ao relacionar o problema com tais concepções sociológicas, percebe-se que a transferência desses pensamentos intolerantes de geração a geração corroboram com a solidificação dessa adversidade em território nacional, o que acontece, por exemplo, com a cultura e a linguagem do sertão nordestino, muito associadas às ideias de inferioridade e retrogressão. Dessa forma, mostra-se imprescindível a participação da sociedade civil na luta pelo respeito e valorização das variantes da língua portuguesa.
Destarte, depreende-se que o preconceito linguístico deve ser combatido na luta por um país mais justo e orgulhoso de sua diversidade. Dessa maneira, o Estado, na atuação do Poder Legislativo e do Ministério da Educação, deve criar leis que assegurem a realização de oficinas gratuitas mensais realizadas em escolas e locais públicos, como praças, sobre as variações linguísticas e estudos aprofundados sobre as culturas regionais, por meio de parcerias com prefeituras municipais e participação de professores, artistas locais, estudantes e demais cidadãos, a fim de democratizar o acesso à cultura e educação e produção de músicas e poemas, visando divulgar e valorizar toda a diversidade das linguagens e realidades nacionais. Assim, a cultura cantada pelo Rei do Baião e todas as outras existentes no Brasil serão respeitadas e vivenciadas pelos brasileiros.
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