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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

A chegada dos portugueses foi marcada, entre outros fatores, pela imposição da língua europeia sobre os indígenas, com o subterfúgio de civilizá-los. Essa visão etnocêntrica perpetuou-se no Brasil e, de maneira análoga, a língua ainda é motivo de segregação e hierarquização da sociedade tupiniquim. Mesmo com a experiencia modernista, que pregava o reconhecimento do vocabulário brasileiro, o problema persiste e se assenta nas construções históricas e incompreensão da variedade linguística brasileira.
É evidente que alimentou-se, historicamente, uma visão de superioridade da linguagem lusitana, estreitamente ligada as classes dominantes. Vale destacar o que pontuou Karl Marx, de que as ideias majoritárias de uma sociedade são as difundidas pela classe dominante. Assim, a concepção de se falar o português rebuscado era culturalmente valorizada, uma vez que apenas pessoas abastadas tinham acesso à educação. Nesse sentido, as demais pessoas eram excluídas socialmente por não se encaixarem nesse padrão.
Ademais, ainda não há no Brasil uma real compreensão de sua pluralidade. Essa diversidade tupiniquim também abrange a expressão verbal, mas é deveras desconsiderada por conta da supervalorização da norma culta. No livro "Preconceito Linguístico", o linguista Marcos Bagno afirma que falar diferente não é errado, e que as variações são fruto da riqueza cultural brasileira. Porém, essa não é a visão da maioria dos cidadãos, o que torna comum casos de discriminação pelo uso da linguagem que se difere do padrão erudito. Exemplo disso é o caso do médico paulista que zombou publicamente de uma paciente que errou uma palavra - "peleumonia" em vez de pneumonia.
Fica evidente, portanto, que o preconceito linguístico existe e deve ser combatido. Assim, cabe ao MEC reforçar na grade curricular de letras o estudo das nuances da língua no Brasil, de modo a familiarizar os alunos com as variações existentes e evitar a ignorância que por vezes culmina em discriminação. Além disso, a escola não deve apenas abordar o assunto, mas enfatizar inconsistência do preconceito. Outrossim, é dever do legislativo prever penas para casos de intolerância linguística. E pode-se, ainda, através da mídia, enaltecer as diferenças dos dialetos e sotaques, difundindo a obra dos artistas modernistas e de figuras como Patativa do Assaré, cuja a rica poesia não seguia a norma culta. Talvez assim possamos vencer esse imbróglio e valorizar as diferenças.
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