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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

O direito à Fala
O escritor brasileiro Monteiro Lobato em seu conto "O colocador de pronomes" discorre sobre Aldrovandro ? personagem que se utiliza de uma linguagem empolada e descabida, vivendo em busca de erros gramaticais e deixando de perceber as belezas da linguagem. Não obstante, verifica-se na extensão territorial do Brasil, variações linguísticas construídas através de processos históricos e sociais de cada região. Dessa forma, a heterogeneidade de línguas revelou ao país a ocorrência do preconceito linguístico, onde os mais exigentes da norma culta deixam de valorizar a riqueza por trás da construção da língua, privando muitos o direito à fala.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o preconceito linguístico é o mais empregado na atualidade e pode ser grande propulsor de exclusão social. No Brasil, produziu-se ideologicamente o conhecimento de que se fala o português e o desconhecimento de que várias outras línguas são faladas, processo viabilizado pela própria escola e gramáticos. Conforme senso publicado pelo Governo Federal, o país abrange cerca de 200 idiomas, sendo aproximadamente 170 línguas autócnes e 30 alóctones. Com efeito, vários ??Aldovrandros?? conhecedores das normas do português acabam sendo apáticos à falantes de outras línguas e suas variações, deixando, assim, esses indivíduos não empregadores do português culto, cerceados em sua liberdade de expressão e comunicação.
Em consonância com a diversidade de idiomas, o plurilinguismo inclui também as variações regionais. Dividido em 26 estados e Distrito Federal o país contou com a bonita incorporação cotidiana dos falantes ao português. Porém, indivíduos normatizados insistem na escolha da norma culta como a representativa correta, colocando em pauta uma dicotomia entre pensamento e linguagem que opõe a "racionalidade da classe educada" à "espontaneidade pré-racional do povo". É bonito de se ver o quanto o povo nordestino é ??arretado" ? legal, como o povo mineiro é "trem xonado"- pessoa apaixonada e como o sul carinhosamente chama o "piá" ? garoto. Assim sendo, a língua popular é criativa, espontânea, às vezes até ilógica0000 mas ainda é a melhor expressão da racionalidade e da cultura ? deixa a comunicação viva, devolve o direito à fala.
Fica evidente, portanto, que o preconceito linguístico é construído na escola através de uma educação estritamente normativa e sem ênfase na diversidade idiomática. Por isso, o Governo Federal junto ao Ministério da Educação e Ministério do Turismo deve criar um plano nacional de complementação do programa curricular e valorização da língua como atrativo regional de promoção de viagens. Isso pode ser feito lecionando sobre as variações regionais e promovendo o contato dos alunos com essas línguas através de excursões para contato local ou trazendo profissionais da gramática de outras regiões para palestras sobre o assunto. Além disso, criar uma política de garantia dos direitos lingüísticos às populações não falantes de português. Dessa forma, vários "Aldrovandros" vão descobrir a beleza que é a infinitude da linguagem que proporciona a real expressão do que somos e do que vivemos.
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