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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

"Se um dia nois se gostasse, se um dia nois se queresse??, o trecho, do cordel de Zé da Luz, retrata uma ironia frente a uma crítica sobre a poesia ser feita somente pela gramática culta portuguesa. Nesse viés, anos depois da exposição do cordel, ainda é forte o sentimento de preconceito com a linguagem no país, excluem-se diferenças sociais,culturais e locais em prol de uma elitização do falar, inferiorizando os múltiplos dialetos.
Desse modo, o Brasil por ter um extenso território, apresenta também uma grande diversidade de linguagens, de tal forma que muitos dialetos são irreconhecíveis em certas regiões. No entanto, muitos indivíduos não aceitam essa pluralidade, somente veem a norma culta como correta, isto é, divergências sócio-culturais são desconsideradas, e muitas vezes o ser usa do conhecimento gramatical para submeter outros a ocasiões vexatórias, o que é até algo comum de se ocorrer, principalmente com imigrantes regionais ou classes menos favorecidas. Nessa perspectiva, o doutor em linguística Marcos Bagno em sua obra ??preconceito linguístico??, dialoga sobre o ato da sociedade não diferenciar o que é norma culta e o que é língua, e quando cada uma deve ser usada, já que o principal fator colaborador da intolerância com a diversidade é a autoridade que o indivíduo acha que tem quando este é socialmente ??culto??. Por cúmulo, a educação foi falha ao não enfatizar o respeito às diferenças, já que muitos consideram o que simplesmente foge do padrão errado.
Dessa maneira, desde o período colonial o que se observa no país é uma elitização da linguagem advinda de Portugal e um descaso com dialetos locais e de imigrantes, como os africanos. Destarte, a fala foi se tornando um meio de controle social, ou seja, aqueles que detinham a norma culta eram os com maiores graus de escolaridade, segundo a visão de grande parte da população, e o que se constata é que ainda hoje isso é levando em conta, pois muitos linguajares são considerados marginalizados, e vistos como pertencentes somente a um certo nicho social, sendo considerados ''errados'' fora desses locais. Por esse ângulo, a obra ?? Quarto de Despejo??, de Carolina Maria de Jesus, é o diário da autora que residia numa periferia de São Paulo. e que fez muito sucesso, porém muitas das críticas enfatizavam a linguagem da escritora, a julgando como incapaz de escrever tal obra, mostrando o preconceito velado com outros modos de escrita discrepantes dos padrões. Logo, é notório que há intolerância com a linguagem diferente da comum por grande parte da sociedade, e quem mais sofre com isso é os que destoam do protótipo.
Portanto, é notório que o preconceito linguístico é uma realidade no Brasil, devendo ser combatido por órgãos responsáveis. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover o conhecimento amplo dos indivíduos sobre o que é língua e sua diversidade, por meio de aulas temáticas em escolas voltadas ao conhecimento da pluralidade e estudo das raízes-do-Brasil, enfatizando o respeito às diversas culturas, sociedades e territórios do país, a fim de gerar nos jovens um pleno saber dos amplos linguajares que residem no país. Outrossim, a mídia, de forma engajada, deve promover uma maior diversidade em seus meios quanto a cultura brasileira, através de novelas e séries que retratam os mais amplos dialetos da nação, a fim de proporcionar uma maior inclusão e representabilidade da rica cultura brasileira.
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