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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

A citação do escritor Franz Kafka "A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua" deixa claro, que a língua é um dos principais instrumentos que sustenta a sociedade, responsável pela comunicação e interação entre indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de discriminação social. Dessa forma, as variedades linguísticas brasileiras produzem simultaneamente efeitos positivos, isto é, grande acervo sociocultural, mas também negativos como o preconceito linguístico e a exclusão social.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que embora todos os brasileiros sejam falantes de Língua Portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional e histórico. Como resultado, o Brasil em sua formação recebeu imigrantes de diversos países, se constituindo como um território diversificado, o que ocasionou o surgimento de novas variações linguísticas. Colonizado por portugueses, assim como descendentes de vários outros países europeus, africanos e asiáticos, tendo a maior mistura da América do Sul, contribuiu para inúmeros dialetos, sotaques e gírias diferentes dentro dos próprios estados. Enfim, essas dimensões proporcionaram também um preconceito que já faz parte da cultura brasileira: o linguístico.

Nesse contexto, a ideia do filósofo Nicolau Maquiavel "Os preconceitos têm mais raízes do que princípios" deixa claro, que a sociedade é desenvolvida a partir de modelos que foram construídos ao longo dos anos e passados de pais para filhos, desse modo, fortalecendo pensamentos que não mais vigoram no corpo social atual. Nesse cenário, pode ser mencionado o deslize do médico Guilherme Capel em Santa Rosa, Rio Grande do Sul, que publicou nas mídias sociais ridicularizando a forma que o paciente proferiu termos médicos, noticiado pelo G1. Com isso, demonstra que a classe popular sofre grande antipatia pela classe graduada.

Logo, a língua é um fato decisivo na exclusão social, por isso, o preconceito linguístico precisa ser discutido. O Ministério da Educação (MEC) deve instruir palestras, com psicólogos, escritores e com o apoio de material didático com abordagem mais profunda sobre esse tema, da mesma forma, é preciso que os professores se conscientizem e não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação, ensinar nas aulas de português todas as variantes existentes na língua. E por fim, o Ministério da Cultura (MinC) precisa investir em campanhas educativas tanto no âmbito escolar como nas mídias em geral, de modo que auxiliem a desconstruir esse mal que perpetua na sociedade.
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