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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, é um representante da simplicidade de um camponês, tanto no modo de vida quanto na maneira de falar. Nesse contexto, o Brasil tem uma grande extensão territorial e, consequentemente, uma variedade linguística regional e social, mas existe um preconceito linguístico enraizado que deve ser combatido pela sociedade e pelo estado.
A forma de falar tornou-se uma maneira de seleção ou de caracterização das classes sociais. No livro "Linguagem, escrita e poder", de Maurizzio Gnerre, o autor discute o fato de a variedade linguística valer o que valem seus falantes, isto é, ser reflexo de poder aquisitivo. Como consequência desse valor, tem-se a segregação social: pessoas com baixa renda ou com pouco acesso a educação são, frequentemente, vítimas desse preconceito o que gera medo de comunicação e dificuldade de socialização.
Ademais, o Brasil é um país miscigenado cultura e linguisticamente. A extensão do território permitiu a instalação de diferentes povos - holandeses, alemães, japoneses - em diferentes regiões o que ocasionou a pluralidade não só de cultura, mas também da língua. No entanto, a imposição dos portugueses se deu de forma nítida, de maneira que o país adotou o português como língua oficial. De acordo com Marcos Bagno, doutor em linguística, não existe uma forma certa ou errada de falar, a gramática sugere uma linguagem correta e isso gera o preconceito. Assim, existem numerosas regras gramaticais e essas dão ideias de existência de uma verdadeira forma de falar, uma norma culta, propagada, sobretudo pelas escolas.
Infere-se, portanto, que há necessidade do combate ao preconceito linguístico intrínseco ao meio social. É dever das escolas estabelecer estratégias que minimizem as causas dessa problemática, com ensino da diversidade de línguas das diferentes regiões e que não propague a norma culta como uma forma certa de falar, assim o conhecimento diminuirá o julgamento. Cabe à mídia promover e abranger em seu conteúdo as consequências da imposição de uma língua e incentivar os indivíduos a respeitarem as variedades. Assim, pessoas como o personagem de Monteiro Lobato não serão, constantemente, vítimas de preconceito.
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