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Combate ao preconceito linguístico no Brasil

Um dos mais importantes escritores brasileiros, João Guimarães Rosa, deve muito de sua fama à linguagem sertaneja e popular, a qual soube, de modo genial, transformar em uma escrita muito rica e original, principalmente em sua obra "Grande Sertão: Veredas". Porém, o preconceito linguístico existente na sociedade brasileira evidencia que o reconhecimento da linguagem popular não é algo comum. Dentre os vários pontos relevantes, pode-se citar a língua como meio de dominação e a desconsideração da diversidade cultural.
Primeiramente, é primordial entender que a língua está muito além de um simples mecanismo utilizado para se estabelecer uma comunicação, pois ela reflete diretamente certos aspectos sociais e culturais de um povo, fazendo parte da identidade deste. Consequentemente, em casos de aculturação, como os que ocorreram no Brasil durante a colonização portuguesa a partir do século XVI, a língua é utilizada como instrumento hierarquizante e de dominação política, social e cultural. Desse modo, percebe-se que é imprescindível a existência de leis que assegurem a diversidade linguística e combatam o preconceito, impedindo processos de aculturação e exclusão social.
Além disso, é importante destacar o papel que a própria educação tem em disseminar, implicitamente, certos preconceitos linguísticos, fazendo um caminho contrário ao qual ela deveria traçar. Em sua obra "Preconceito Linguístico", Marcos Bagno afirma que o ensino da norma padrão da língua portuguesa nas escolas é um "mito", no sentido de que esse aprendizado exclui todas as outras línguas faladas no Brasil, criando um idealismo linguístico e cultural que não é aplicável na prática. Assim, as escolas devem, urgentemente, realizar reformas no que diz respeito ao ensino linguístico.
Dessarte, torna-se evidente que a diversidade linguística deve ser preservada e o preconceito combatido, sendo primordial a ocorrência de certas medidas. O Poder Legislativo, através de uma articulação formal que tangencie a preservação linguística, deve criar leis que resguardem a diversidade da língua e criem punições em casos de preconceitos linguísticos, possibilitando uma defesa da heterogeneidade cultural. Ademais, as escolas, públicas e privadas, devem, por meio da aplicação de atividades complementares nas grades escolares, desenvolver aulas que associem a língua e sua diversidade a aprendizados de história e sociologia, permitindo que os alunos interpretem a linguagem como um "organismo vivo", ou seja, suscetível a mudanças e desvinculada de normas. Assim, será possível criar uma sociedade com a qual o escritor mineiro possa se orgulhar.
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