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Charlatanismo nas redes sociais

Segundo o filósofo Francis Bacon, o homem acredita mais facilmente no que gostaria que fosse verdade. Assim, ele rejeita coisas difíceis pela impaciência de pesquisar e substitui os fenômenos mais complexos da natureza por superstição. Nesse sentido, a sociedade brasileira passa por uma crise de desinformação, visto que nesse período de pandemia muitas informações sobre tratamentos médicos alternativos, sem comprovação científica, estão sendo compartilhadas nas redes sociais. Dito isso, esse entrave perdura devido a inexistência de um sistema para identificar os charlatães na Internet e a falta de conhecimento científico da população.


Em primeira análise, sabe-se que segundo o artigo 283 do Código Penal, atos de charlatanismo devem ser penalizados com 3 meses a 1 ano de prisão. Porém, apesar de existir uma punição adequada para esse crime, não há um sistema especializado na investigação desses casos. Nesse contexto, o astrônomo Carl Sagan evidencia — no livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios" — que explicações prosaicas geralmente estão por trás daquilo que se considera “sobrenatural” ou “de outro mundo”, no mais ele demonstra como empregar o método científico e o pensamento cético a fim de instigar as pessoas a buscarem a verdade a partir do questionamento e investigação. Nessa perspectiva, é evidente que no Brasil não existe um órgão específico que exercite esse método para averiguar devidamente os casos de charlatanismo.


Além disso, sabe-se que a maior parte da população brasileira não possui conhecimento algum sobre ciência. Sob essa ótica, o Centro de Gestão em Estudos Estratégicos (CCGE) realizou uma pesquisa de percepção social da ciência. Nesse estudo, 61% dos entrevistados se declaram interessados pelo tema, entretanto a grande maioria desses não possuía nenhum entendimento sobre o método científico. Sendo assim, fica claro que esse cenário de desinformação possibilita que algumas pessoas se aproveitem dessa situação para vender tratamentos médicos baseados em superstição ou pseudociência — métodos e afirmações com aparência científica, mas que partem de premissas falsas ou que não usam métodos rigorosos de pesquisa. Dessa forma, é evidente que o Estado precisa intervir a fim promover a difusão das ferramentas necessárias para que as pessoas possam compreender a ciência e, assim, não serem facilmente enganadas.


Portanto, para alterar e percepção do homem proposta por Bacon, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), realize campanhas de divulgação científica, por meio do compartilhamento, nas redes sociais, de livros e vídeo-aulas (ministradas por cientistas brasileiros) que promovam a ciência e o pensamento crítico, objetivando tornar população capaz de distinguir informações científicas do charlatanismo. Ademais, em vista da dificuldade de combater a propagação de informações falsas nas redes sociais, é necessário que a Polícia Federal crie uma força tarefa para investigar — por intermédio um algoritmo que aplica o método científico — a fundo os possíveis casos de charlatanismo, com o objetivo de aplicar a punição adequada aos autores desse crime.

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