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Casamento infantil no Brasil

Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, em “A banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro e cotidiano. Sob essa ótica, ao observar-se os diversos problemas no tocante à questão do casamento infantil, no Brasil, nota-se que o pensamento de Hannah é contrastado tanto na teoria quanto na prática, haja vista que, devido   ao patriarcado e à atual concepção de cidadania a naturalização desse tipo de casamento ocorre diariamente.


De início, é pertinente apontar o patriarcado institucionalizado na nação Brasileira como uma das razões do  do casamento infantil no país. O Sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, aponta que as relações entre os seres humanos estão pautadas no individualismo e na falta de empatia. Baseados nessa percepção, os mecanismos opressores da sociedade, romantizam a ideia do casamento, disseminando-o como sinônimo de liberdade, segurança e felicidade, quem nem sempre se concretizam. Tal conjuntura, somada a uma crescente desigualdade social, desamparo familiar e violação de direitos, são alguns dos fatores que acarretam no casamento precocemente. 


Ademais, à atual concepção de cidadania também fomenta o descaso do casamento infantil no espaço Brasiliano. O grande geógrafo Milton Santos, em “O espaço do cidadão”, problematizando o significado de ser cidadão no Brasil, relata que seu sentido está intrínseco às relações de poder, intensificadas pelo capitalismo e materializada em privilégios. Nessa ótica, é imposto ao indivíduo uma falsa noção de cidadania, cuja base está fundamentada no consumo. Tal conjuntura aliena as pessoas e, com isso, debater os riscos de uma possível grávidez na adolescência, perda da infância, evasão escolar e traumas emocionais gerados nas vítimas do casamento infantil torna-se, para muitos, algo banal, o que facilita a difusão de um senso comum que perpetua a problemática.


Urge, portanto, que medidas são necessárias para minimizar os entraves gerados pelo casamento na infância. O Ministério da Educação, em parceria com o Estatuto da Criança e do Adolescente, deve buscar prevenir o casamento infantil e ao mesmo tempo acolher as vítimas, por meio de palestras ministradas nas escolar públicas e privadas, voltada às crianças do fundamental II, com o objetivo de proporcionar aos estudantes um senso crítico mais apurado sobre a problemática. Essas palestras, serão ministradas por profissionais da área da pedagogia e psicologia. Com tal implementação, espera-se que a cultura retratada em “A banalidade do mal”, se torne uma mazela passada na história do país. 

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