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Capacitismo no Brasil

   O filme "Extraordinário" retrata a vida de Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma deformidade facial, e os desafios, como o preconceito dos colegas escolares, enfrentados por ele durante o seu processo de inserção social. Nessa perspectiva, percebe-se a importância da inclusão de pessoas com deficiência, no entanto, no Brasil, essa ideia parece ainda não ser compreendida, visto que o capacitismo se tornou um grande obstáculo a ser transgredido. Isso porque a negligência do Estado e a forte influência dos estereótipos favorecem o agravamento dessa problemática.


   Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a ausência de cuidados governamentais destinados a promover uma melhor qualidade de vida a pessoas deficientes perpetua a exclusão desse grupo. Segundo o filósofo norte-americano John Rawls, o Estado precisa oferecer equidade no acesso a bens primários, como mobilidade e segurança. Todavia, essa ação não se concretiza na sociedade brasileira, dado que muitos indivíduos portadores de necessidades especiais têm seus direitos limitados pela carência de recursos básicos, a exemplo de rampas para cadeirantes. Desse modo, entende-se que essa conjuntura é prejudicial, já que ela contribui para a permanência do capacitismo.


   Além disso, faz-se imperioso observar os efeitos dos estereótipos relativos ao cotidiano de pessoas deficientes na manutenção da discriminação. Isso ocorre, uma vez que a falta de informação populacional sobre os métodos para integrar um indivíduo com deficiência na sociedade dificulta o combate ao capacitismo. Prova disso são conhecimentos populares os quais associam a deformidade a uma doença que incapacita o indivíduo. Destarte, destaca-se que a conservação desse pensamento apenas reverbera o desrespeito aos portadores de necessidades especiais.


   Fica evidente, portanto, a relevância do combate ao capacitismo no Brasil. Logo, o Congresso Nacional deve criar leis responsáveis por garantir um maior investimento nacional em elementos que facilitem a integração de pessoas deficientes, como a construção de pontos de acessibilidade a portadores de necessidades especiais, por meio da inserção dessa ideia nas diretrizes orçamentárias nacionais, visando ampliar a inserção social desse grupo. Outrossim, o Ministério da Educação pode atuar na aplicação de aulas didáticas, com a participação de indivíduos deficientes, que desconstruam os estereótipos relacionados às deformidades, objetivando, assim, evitar situações de preconceito semelhantes àquelas vivenciadas por Auggie.

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