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Capacitismo no Brasil

            Consoante a Constituição Federal de 1988, compete ao Estado promover o bem-estar coletivo mediante a supressão de quaisquer formas de discriminação. No entanto, quando se observa a questão do capacitismo, no Brasil, atualmente, nota-se que, em razão de aspectos inerentes ao tecido social e da ausência de representatividade, parte significativa da sociedade sofre com as consequências provenientes da persistência dessa adversidade, fato esse que, por sua vez, evidencia o não cumprimento de um dever previsto na Carta Magna brasileira.


            A princípio, cabe pontuar que a carência de políticas de esclarecimento coletivo é um dos principais fatores à manutenção do capacitismo no país, uma vez que a histórica difusão de ideias efêmeras e generalistas, no que se refere às capacidades de pessoas com deficiência, marcou o ideário popular por gerações e, infelizmente, persiste na contemporaneidade. Nesse âmbito, é conveniente mencionar uma máxima de Immanuel Kant, a qual externa que é na educação que se encontra o grande segredo para o aperfeiçoamento da humanidade. Desse modo, ao analisar a afirmativa de Kant, depreende-se que existe a necessidade de, por meio da educação, mudar essa realidade responsável por uma triste segregação social.


            Além disso, convém frisar que a falta de representatividade nas mídias tradicionais contribui para perpetuar o preconceito com pessoas com deficiência no Brasil, haja vista que, em virtude de seu poder de influência coletiva, uma representação efetiva na mídia possui o potencial de atuar positivamente no processo de inclusão social do grupo em questão. Uma prova da dimensão desse problema está em dados publicados pela Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos quais é possível notar que apenas 2,4% dos personagens das 100 maiores produções de 2015 eram pessoas portadoras de alguma deficiência, realidade essa que ratifica a pouca representatividade nas produções midiáticas. Dessa forma, infere-se que há uma indispensabilidade de se buscar caminhos que atenuem essa adversidade.


            Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Educação crie projetos que visem mitigar essa problemática. Com base nessa premissa, é primordial que – por intermédio de palestras, debates e trabalhos periódicos, com a participação de país e familiares – ocorra, no ambiente escolar, a implementação de programas de esclarecimento popular sobre as causas e consequências do capacitismo em meio social, com o objetivo de estimular o desenvolvimento da criticidade da população quanto a esse problema e, então, transformar a sociedade em um mecanismo capaz de suprimir atitudes de discriminação nos mais diversos âmbitos sociais. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, possa se beneficiar de um direito constitucional e indispensável ao bem-estar da coletividade – a garantia da supressão de quaisquer formas de discriminação.

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