O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Capacitismo no Brasil

   A série televisiva "The Good Doctor" apresenta a história de Shaun Murphy, um médico, residente de cirurgia, que possui autismo. No enredo, está presente a crescente dificuldade em ser aceito pela equipe devido sua deficiência, bem como, pela crença de que ele não é capaz de exercer tal profissão. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela série pode ser relacionada ao panorama hodierno enfrentado pelo Brasil: o capacitismo, no qual consiste em ações e palavras que discriminem os deficientes consoante a óptica de que eles sejam incapazes. Com isso, é certo que o preconceito arraigado corrobora para o problema supracitado e se configura em um empecilho à democracia e igualdade de todos, ferindo a Constituição Federal do País.



  Em uma primeira análise, é importante destacar que a discriminação se expressa como um obstáculo enraizado. Isso porque, ao longo da história, os indivíduos portadores de alguma limitação, seja ela física, mental ou intelectual, foram excluídos e reprimidos, uma vez que não apresentavam os estereótipos considerados normais e aceitos, como também, capacidade para desenvolver integralmente as atividades. Desse modo, conforme a Teoria do Habitus, elaborada pelo sociólogo Pierre Bordieu, as sociedades possuem padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos, assim, essa óptica preconceituosa perdura até os dias atuais e reflete em muitas ações ainda praticadas contra os deficientes.



   Por conseguinte, o preconceito a esses indivíduos resulta na desigualdade, menores condições de trabalho, concomitante a falta de visibilidade, o que transgride os princípios democráticos. Dado que ao não serem vistos como capazes de realizarem plenamente as funções, as empresas não buscam contratar esse público, fato que pode ser demonstrado pelos dados da Folha Uol, no qual traz que os portadores de deficiência representam apenas 0,9% do total de carteiras assinadas. Diante do exposto, evidencia-se que os deficientes são cidadãos de papel, assim como na teoria do jornalista Gilberto Dimensteim, haja vista seus direitos negligenciados, garantidos apenas no papel e não na prática.



  Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar esse impasse. Para que o preconceito seja mitigado, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e as instituições escolares, desenvolva projetos de aula que tratem sobre a inclusão de pessoas com deficiência e sua capacidade de realizar as atividades, por meio de rodas de conversa, palestras com psicólogos, médicos e jogos didáticos, os quais estimulem a interação entre os alunos com e sem limitações, visando desconstruir essa óptica discriminatória e a exclusão. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho, mediante as mídias sociais, divulgar a necessidade de as empresas contratarem os deficientes,a priori o objetivo de assegurar à igualdade de todos, além de dar visibilidade e participação. Destarte, a realidade apresentada pela séria ficará apenas na Ficção e a Constituição será cumprida.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!