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Camarotização da sociedade brasileira e a desigualdade de classes sociais

Foi muito noticiada em programas de televisão uma figura que ficou conhecida como o "rei do camarote". Trata-se de um homem branco e de classe alta que frequenta festas e se ocupa em ostentar bebidas e dinheiro nos "espaços vips" das casas noturnas. Tal fato pode parecer inofensivo, mas na verdade esconde um grave problema da sociedade brasileira. A segregação das classes sociais baixas por meio da criação de camarotes contribui para acentuar a desigualdade social e preconceitos nocivos à população, exigindo posturas governamentais e de veículos formadores de opinião pública que amenizem o problema.


A princípio, é preciso pensar que a camarotização dos espaços reforça todo estigma que já existe a respeito da população mais pobre. Primeiro que quem mora na periferia já não conta com espaços de lazer em seu entorno, porque não existem parques, museus ou teatros nas favelas. Então, quando essa população consegue frequentar tais lugares, são separadas por "ambientes exclusivos". Isso faz com que elas não se sintam pertencentes àqueles lugares, traz constrangimento e perpetua preconceitos. Nesse sentido, é possível enquadrar a camarotização no conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt. De acordo com ela, atitudes preconceituosas passam a ser tão cometidas que se tornam banais e, por isso, até deixam de serem vistas como erradas, é o que acontece com a segregação dos mais pobres nos camarotes.


Somado a isso, pode-se inferir que a camarotização contribui para a desigualdade social. Atualmente, o Brasil já ocupa a décima posição no ranking de países mais desiguais do mundo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Logo, a população, ao querer se separar e construir mais barreiras entre as classes, agrava esse problema. Essa separação é movida pelo desejo das classes médias e altas de mostrar que não fazem parte da parcela pobre da população, que têm status e a presença em camarotes serve para atestar isso. Todavia, essa atitude prejudica o cenário social do país e faz as soluções dos problemas ficarem cada vez mais distantes, pois, como diz o geógrafo Milton Santos, "uma sociedade alienada enxerga o que separa, e não o que une seus membros".


Fica claro, portanto, que se trata de um problema social que alimenta aspectos negativos da realidade brasileira. Para amenizar as consequências da camarotização, o Ministério da Cultura deve promover eventos públicos como festivais, shows e exposições e proibir neles espaços cercados ou separados a fim de promover a integração das classes. Em soma, emissoras de televisão podem fazer programas educativos e novelas explorando o tema de forma a não "glamourizar" a segregação, visto que são formadoras de opinião e possuem grande influência sobre as pessoas. Dessa maneira, o "rei do camarote" não será ícone de admiração e as pessoas verão que buscar a integração é muito mais benéfico do que se fecharem em seus próprios grupos.

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