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Aumento da emigração de brasileiros

Na contramão do caminho que tradicionalmente se estuda na história do Brasil, no qual houveram grandes fluxos imigratórios de estrangeiros para nosso país, como foram os exemplos dos europeus e japoneses vindos após a abolição da escravatura, as mulheres polonesas no início do século XX e os judeus fugidos do Holocautro, agora se observa o aumento do fluxo inverso, de brasileiros emigrando. Infere-se, ao identificar esse processo, que questões como violência, corrupção e crise econômica se agravam, motivando os indivíduos tanto de baixa, quanto de alta escolaridade a buscarem melhor qualidade de vida em outros países. A negligênca ou imperícia dos governantes em não solucionar tais problemáticas cria um ciclo vicioso que só agravará a situação da nação. Portanto, sem uma eficiente intervenção política reformista, não será possível cessar as causas dessa fuga de cérebros.


São notórios e crônicos os problemas de instabilidade política, econômica e cultural no Brasil: a falta de emprego, a alta carga tributária (sem retorno de bons serviços para a população), escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, falta de segurança e inclusive a péssima e persistente atitude do "jeitinho brasileiro". Segundo dados da Receita Federal, isso motiva parte da população a emigrar em busca de um futuro melhor para si e para os filhos. Até 2013, 22% desses emigrantes não tinham curso superior, e ocupavam trabalhos braçais no exterior. A partir de 2014, esse percentual caiu para 6%, evidenciando um aumento relativo da saída de profissionais qualificados. Percebe-se com isso que, independente da escolaridade do emigrante, as causas que influenciam sua saída são as mesmas e vêm se agravando com o passar dos anos.


Outro ponto a se perceber com esses dados é que houve, segundo o IBGE, um aumento do percentual de brasileiros com curso superior. Isso permite verificar que o país está investindo recursos na graduação, mas não resolve os problemas estruturais da nação. Dessa forma o governo gasta dinheiro na qualificação do indivíduo que irá agregar valor na produtividade do mercado de trabalho externo. Identifica-se também, que cada vez mais os cidadãos adotam a resignação e/ou conivência como atitudes frente a tais problemas, ao invés de reinvindicar melhorias. Além disso, existe o conceito de externalidade negativa, que prediz através de estudos randômicos que quanto menores forem a qualidade e os anos de educação de um profissional, pior e menos qualificados tenderão a ser as pessoas do seu círculo de atuação. Isso agrava questões como queda dos anos de escolaridade, da qualidade do ensino, da produção industrial, da inovação e da industrialização no Brasil.


Portanto, faz-se necessária uma intervenção definitiva e eficiente do governo através de reformas fiscal, política e educacional. No âmbito fiscal é urgente a criação de um imposto de renda único e progressivo (no qual a taxa aumenta acompanhando o crescimento da renda, concedendo isenção fiscal para quem recebe menos de cinco salários mínimos), permitindo que as classes menos abastadas tenham receita disponível para investir em educação e proporcionar melhor qualidade de vida. Assim, também é possível qualificar a população ajudando na recolocação profissional. A reforma política é primordial para resolver questões como insegurança e serviço de saúde. Isso pode ser feito através de parcerias publico-privadas, permitindo que o setor privado administre o SUS e a Polícia Civil sob a auditoria do governo. Esse tipo de administração já foi implantada nos aeroportos e demostrou-se boa, além de diminuir o gastos com cargos públicos ineficientes. Na questão educacional precisa-se priorizar o ensino médio, possibilitando que mais de 90% das pessoas possam concluí-lo, e ter acessibilidade ao ensino superior. Já a sociedade precisa buscar ser honesta e agir com retidão em todas as áreas da vida, bem como lutar por seus direitos, abandonando o "jeitinho brasileiro". Dessa forma será possível por fim na corrupção, pois os governantes nada mais são do que uma parcela do mesmo espaço amostral cultural.

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