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As novas configurações da família contemporânea no Brasil

Segundo o livro ''A Família em Desordem'', da autora Elizabeth Roudinesco, a imagem da ''Família Doriana'', aquela que povoava os comerciais de margarina nos anos 1990, é um tipo idealizado que dificilmente faz jus à realidade de hoje. Nesse contexto, novos formatos familiares foram moldados no decorrer do tempo, a exemplo da família composta por homossexuais ou pais e mães solteiros. No entanto, essa nova conjuntura encontra diversos entraves para a sua efetiva contemplação, como o preconceito enraizado e a incapacidade da justiça em lidar com esse quadro, a qual fomenta obstáculos para a convivência social. Desse modo, faz-se mister analisar as causas que fortalecem a persistência dessa problemática, a fim de torna a vida em sociedade mais harmônica.


Em primeiro lugar, cabe abordar o papel da sociedade na cristalização dos obstáculos que impedem a aceitação dos novos formatos familiares. Nesse ínterim, nas Civilizações Antigas a formatação familiar era composta pelo homem, pela mulher e seus filhos, o que caracterizava o patriarcalismo. Sendo assim, segundo o sociólogo Pierre Boudier, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz todas as estruturas sociais impostas em sua realidade. Com efeito, mediante os costumes familiares de outrora, a sociedade naturalizou e reproduziu essa situação nos dias atuais, o que torna os atos diferentes errôneos na visão dos indivíduos. Logo, há o desenvolvimento de preconceitos aos diferentes núcleos familiares.


Além disso, é válido salientar a inadiplência governamental em promover a aceitação dos novos formatos familiares. Essa situação, por sua vez, pode ser ratificada ao se observar os escassos planos governamentais que legitimam esse novo quadro, além das disputas políticas e divergências acerca desse tema. Como exemplo, pode-se mencionar o projeto de lei intitulado Estatuto da Família, que considera entidades familiares apenas o núcleo formado pelo homem e pela mulher, assim como o projeto Estatuto das Famílias que, apesar da similaridade na denominação, legitima e garante liberdade de escolha para os indivíduos. Nessa perspectiva, as crianças podem ser consideradas as principais vítimas dessa conjuntura, tendo em vista que lidam com a discriminação social, a qual dificulta o desenvolvimento civilizatório.


Portanto, é necessário que medidas sejam aplicadas para promover o direito de escolha dos indivíduos e incentivar a aceitação dos novos formatos familiares. Dessa forma, cabe à mídia estimular a sensibilidade e a empatia no meio social, por meio de ficções engajadas que demonstram a importância da convivência harmoniosa no seio familiar para as crianças, a fim de dirimir o preconceito e o conservadorismo na população. Ademais, cabe ao Poder Público proteger juridicamente os novos formatos familiares, mediante a punição de políticos e cidadãos que fazem propostas depreciativas às famílias diferentes, com o fito de promover os valores democráticos a todos os indivíduos e, assim, melhorar a convivência entre os diferentes grupos.

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